As 13 Zonas Húmidas dos Açores – Sítios RAMSAR

As 13 Zonas Húmidas dos Açores – Sítios RAMSAR

As 13 Zonas Húmidas dos Açores – Sítios RAMSAR pretende assinalar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, comemorado a 2 de fevereiro.

 

Neste artigo, fica a conhecer as 13 Zonas Húmidas dos Açores classificadas ao abrigo da Convenção sobre Zonas Húmidas em Ramsar. Estas são classificadas quanto à sua importância ecológica, botânica, zoológica, limnológica ou hidrológica. E todos os países que assinam a convenção comprometem-se a tomar medidas de conservação dessas mesmas zonas húmidas.

A Convenção sobre Zonas Húmidas ocorreu na cidade iraniana de Ramsar, no dia 2 de fevereiro de 1971. A partir dessa data, estipulou-se a comemoração do Dia Mundial das Zonas Húmidas a 2 de fevereiro, com o intuito de reforçar a importância das zonas húmidas no nosso ecossistema e a urgência de as proteger, pois as zonas húmidas são dos ecossistemas mais ricos e produtivos do mundo, em termos de diversidade biológica.

As suas grandes ameaças são, precisamente, a poluição, a urbanização e industrialização, intensificação da agricultura, pesca e piscicultura, caça ilegal, turismo insustentável, entre outras.

Portugal apenas ratificou esta Convenção em 1980, com as zonas húmidas Estuário do Tejo e Ria Formosa, mas foi acrescentando outras ao longo dos anos. Atualmente, tem 31 Zonas Húmidas de Importância Internacional classificadas ao abrigo deste tratado, das quais 13 se encontram localizadas nos Açores.

 

Vamos agora conhecer um pouco as 13 Zonas Húmidas dos Açores e principalmente a sua riqueza botânica e zoológica.

 

Lagoa da Fajã de Caldeira de Santo Cristo (São Jorge)As 13 Zonas Húmidas dos Açores_Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Foi, a par da Lagoa da Fajã dos Cubres, a primeira zona húmida açoriana classificada pela Convenção Ramsar, em 2005.

Esta lagoa, na realidade uma laguna, localizada na imponente Fajã da Caldeira de Santo Cristo, é sujeita às marés que fazem oscilar as suas águas contribuindo para a sua oxigenação, fazendo com que a sua água seja salobra. Esta particularidade faz com que seja possível a criação de amêijoas da espécie Ruditapes decussatus (a única amêijoa explorada comercialmente nos Açores). Graças à importância comercial desta amêijoa, entre outras razões, foi classificada, em 1984, pelo Governo Regional dos Açores, como reserva natural.

É também um paraíso ornitológico, com diferentes espécies de aves que escolhem esta linda fajã para residir ou estar apenas de passagem, aves, essas, que estão protegidas por leis nacionais e internacionais.

Nidificam aqui o cagarro (Calonectris diomedea), o garajau-rosado (Sterna dougallii) e o garajau-comum (Sterna hirundo).

 

Lagoa da Fajã dos CubresFajã dos Cubres. As 13 Zonas Húmidas dos Açores

Umas pequenas flores amarelas, conhecidas por cubres (Solidago sempervirens L.) , enchem as encostas desta Fajã, que é considerada um Sítio de Importância Internacional, especialmente como Habitat de Aves Aquáticas, ao abrigo da Convenção de Ramsar.

Tal como a lagoa Fajã da Caldeira de Santo Cristo é uma lagoa de água salobra e sujeita às marés que fazem oscilar as suas águas contribuindo para a sua oxigenação, o que propicia a criação de ‘mujas’, nome dado pelos locais às jovens tainhas.

Além das tainhas, também se escondem entre as algas pequenos camarões que localmente são muito usados na pesca à garoupa. Os peixes mais abundantes na costa circundante, mas que raramente entram na lagoa, são: a tainha, a veja, a anchova e o bodião.

Como referido anteriormente, a sua importância deve-se essencialmente ao facto de ser um Habitat de Aves Aquáticas. Nidificam neste lugar o Cagarro (Calonectris diomedea), o Garajau-rosado (Sterna-dougallii) e o Garajau-comum (Sterna-hirundo), aves que estão rigorosamente protegidas por leis nacionais e internacionais.

Relativamente à flora, destacam-se as endémicas Urze (Erica azorica) e a Faia-da-Terra (Myrica faya).

 

Planalto Central das Flores (Morro Alto)Morro Alto. As 13 Zonas Húmidas dos Açores

O Morro Alto, situado no Planalto Central da ilha das Flores é tão importante que, além de ser o pico mais alto da ilha, integra a Zona Especial de Conservação (ZEC) Central – Morro Alto no âmbito da Rede Natura 2000, é um geossítio do Geoparque Açores – Geoparque Mundial da UNESCO e ainda um Sítio Ramsar ao abrigo da Convenção Ramsar.

Flora endémica e floresta laurissilva crescem no Morro Alto, entre as quais se sobressaem as espécies Frangula azorica (sanguinho), Laurus azorica (louro-da-terra), Ilex azorica (azevinho), Vaccinium cylindraceum (uva-da-serra), Viburnum treleasei (folhado) e Euphorbia stygiana stygiana (trovisco-macho). Destacam-se, ainda, as turfeiras (Sphagnum sp.) arborizadas, sobretudo, por Juniperus brevifolia (cedro-do-mato), constituindo, inclusive, a maior floresta de cedro-do-mato dos Açores.

É também uma zona importante para muitas aves migradoras como a espécie Egretta garzetta (garça-branca-pequena). Destaca-se, ainda, a presença de Sterna hirundo (garajau-comum), sendo este o local de maior concentração desta espécie no interior da ilha.

 

Planalto Central de São Jorge (Pico da Esperança)Pico da Esperança As 13 Zonas Húmidas dos Açores

De entre os cones que integram a cordilheira vulcânica central destacam-se o Pico da Esperança (formado há cerca de 5300 anos e que constitui o ponto de maior altitude da ilha, com 1053 m).

O Planalto Central é um exemplo perfeito das turfeiras da Macaronésia dos Açores devido às suas condições hidrológicas e diversidade de espécies de plantas autóctones dominadas pela turfa Sphagnum (musgão). Entre as espécies ameaçadas de extinção estão: Bellis azorica, Euphrasia grandiflora, Lactuca watsoniana (alfacinha), Prunus lusitanica ssp azorica. O local é importante pelas suas características de armazenamento e regulação de água. Segunda a Convenção de Ramsar, a área está relativamente bom estado de conservação. No entanto, ressalva que a falta de controlo e a pressão crescente do turismo se possam tornar uma ameaça à sua sustentabilidade.

 

Planalto Central do Pico (Achada)Planalto da Achada. As 13 Zonas Húmidas dos Açores

Foto: Geoparques Açores

O Planalto da Achada situa-se na metade oriental da ilha, numa cordilheira vulcânica com cerca de 30 km de extensão entre a Lagoa do Capitão e a Ponta da Ilha.

Tem cerca de 200 cones vulcânicos que, nas suas áreas adjacentes, albergam turfeiras, charcos ou lagoas: Rosada, Paul, Landroal, Caiado, Peixinho e Negra. Este é um dos locais mais importantes dos Açores em espécies endémicas: cedro-do-mato, queiró, sanguinho e trovisco-macho.

Também algumas aves têm aqui as suas principais áreas de distribuição na região, especialmente a narceja-comum (Gallinago gallinago) e a galinhola (Scolopax rusticola).

 

Planalto Central da Terceira (Furna do Enxofre)

A Zona Húmida do Planalto Central da Terceira é constituída pela Furna do Enxofre e pelo Algar do Carvão.

O local apresenta condições ecológicas particulares que suportam a flora turfosa característica dos Açores e da Macaronésia, com especial relevância para as comunidades de Juniperus brevifolia (cedro-do-mato), Sphagnum (musgão) e floresta laurissilva. A exuberante vegetação contribui em grande medida para os níveis de chuva da região. Este é o habitat de espécies nativas e raras como o pombo-torcaz dos Açores (Columbus palumbus azorica) ou a narceja-comum (Gallinago gallinago). A área húmida tem grande importância pelas suas características hidrológicas para retenção e recarga de água das nascentes subterrâneas. O campo de fumarolas é um habitat interessante devido ao seu excelente estado de conservação.

Toda a área é extremamente diversificada em comunidades de musgos e hepáticas, com cerca de 50 espécies registadas, algumas raras e registadas na “Lista Vermelha dos Briófitos da Europa”, do Comité Europeu para a Conservação dos Briófitos. A maiores distâncias das fumarolas desenvolve-se uma zona de “Calluna vulgaris” (rapa) com exemplares de “Vaccinium cylindraceum” (uva-da-serra) e uma zona de herbáceas (pastagem). Nas áreas livres da influência de gases vulcânicos, a vegetação é caracterizada por espécies típicas de turfeiras nas áreas mais baixas, deprimidas e com acumulação de água, ou da Floresta Laurissilva dos Açores, nas zonas mais altas e expostas.

 

Planalto Central da Terceira (Algar do Carvão)

O Algar do Carvão é um antigo vulcão com um pequeno lago subterrâneo de águas límpidas e estalactites de silicato que chegam a atingir cerca de 1 m de comprimento e 40 a 50 cm de diâmetro, como um caso único no mundo. O lago é alimentado pela água da chuva da superfície e por algumas pequenas nascentes sob o lago.

O povoamento vegetal que recobre o cone, a cratera e a parte superior da antiga conduta vulcânica inclui espécies endémicas dos Açores. Também estão presentes espécies de animais invertebrados, com realce para uma aranha cavernícola endémica.

 

Caldeirão do Corvo

Uma cratera que corresponde a uma caldeira de colapso, com 2,3 x 1,9 km de dimensão e uma profundidade máxima da ordem de 305 metros, que cobre a maior parte da superfície da Ilha do Corvo. Inclui dois lagos permanentes com alguns cones vulcânicos dispersos, que segundo a cultura açoriana representam as nove ilhas dos Açores. A zona húmida tem habitats muito bons e representativos de turfa dominada por musgo de turfa Sphagnum e bosques da Macaronésia de grande importância a nível regional. A área é conhecida como rota de passagem para muitas aves migratórias da Europa ou da América do Norte, pois a ilha está mais ou menos à mesma distância de ambos os continentes, atraindo birdwatchers do mundo inteiro. Também ocorrem colónias com alto número de espécies ameaçadas de aves marinhas, por exemplo, o cagarro (Calonectris diomedea) e o garajau-rosado (Sterna dougallii).

 

Caldeira do Faial

Grande depressão circular criada por uma explosão vulcânica situada na zona central da Ilha do Faial. A caldeira, com 390 metros de profundidade, encontra-se em bom estado de conservação e suporta diferentes tipos de zonas húmidas com espécies nativas e endémicas dos Açores e da Macaronésia, bem como floresta de loureiro. Abriga ecossistemas de pântanos únicos, incluindo turfeiras, turfeiras florestadas e não florestadas, pântanos sazonais de água doce e riachos. A presença de muitos invertebrados endémicos e algumas espécies de plantas ameaçadas (Bellis azorica, Lactuca watsoniana, Veronica dabneyi e Isoetes azorica) confere alta importância ecológica ao local. A zona húmida também é muito importante no contexto da ilha para o valor hidrológico, pois fornece água doce aos habitantes. Possui também valor paisagístico e turístico, sendo uma das principais atrações da ilha.

 

Caldeira da Graciosa (Furna do Enxofre)

No subsolo da Caldeira da Graciosa desenvolve-se a Furna do Enxofre, uma cavidade vulcânica ímpar, de teto em abóbada perfeita, 194 m de comprimento e 40 m de altura na parte central. A sua génese está associada à formação de um lago de lava no interior da caldeira, que transbordou para noroeste, tendo originado outras grutas, como é o caso da Furna da Maria Encantada. Uma lagoa de água fria e um campo fumarólico, com emissões de dióxido de carbono e uma fumarola de lama, ocupam o interior da cavidade.

Existem importantes espécies nativas e endémicas de artrópodes características desse habitat e as espécies endémicas de morcego Nyctalus azorica (morcego-dos-Açores) também podem ser encontradas lá. A caverna da Furna do Enxofre é o ponto alto da ilha para os turistas, e o acesso ao seu terreno é feito através de escadas em caracol de uma curiosa torre construída na caverna.

 

Complexo Vulcânico das Furnas

O local cobre todo o vale dentro de uma impressionante cratera de um vulcão que ainda tem alguma atividade secundária, como pequenas fumarolas e inúmeras nascentes e riachos de água quente sulfurosa. A principal massa de água é a Lagoa das Furnas, cujas margens e águas rasas estão entre os melhores habitats para as aves aquáticas que migram pelos Açores. As encostas da cratera abrigam uma boa diversidade de plantas nativas da Floresta Laurissilva da Macaronésia. O complexo das Furnas é uma atração turística muito conhecida no arquipélago e também de grande interesse científico. Para a Convenção Ramsar, a eutrofização do lago e a expansão de espécies exóticas invasoras são ameaças consideráveis ​​para este local, que se encontra num plano de recuperação urgente para a sua restauração.

O Complexo Vulcânico das Furnas é conhecido pelo famoso “Cozido das Furnas”, as nascentes de águas termais, minerais e gaso-carbónicas, onde se pode degustar estas águas ou tomar banho em poças e piscinas de águas quentes, de reconhecidas propriedades terapêuticas.

Como referido anteriormente, uma das maiores preocupações é a proliferação de comunidades vegetais exóticas de carácter invasor, como o Incenso (Pittosporum undulatum) e a Acácia (Acacia melanoxylon), entre outras como a Conteira (Hedychium gardnerianum) e o Gigante (Gunnera tinctoria).

O projeto de recuperação da Lagoa das Furnas cabe precisamente em reintroduzir milhares de plantas endémicas e nativas de várias espécies, que rareavam ou se encontravam extintas no local, tais como o Pau-branco (Picconia azorica), o Cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), a Ginjeira-brava (Prunus azorica) e o Sanguinho (Frangula azorica).

As margens da Lagoa das Furnas possuem uma grande riqueza de briófitos evidenciando-se as espécies de hepáticas folhosas (Radula nudicaulisAphanolejeunea sintenisii e Telaranea europaea), o musgo acrocárpico (Alophosia azorica), entre outros. As margens da ribeira do Rosal, junto à cascata desta mesma ribeira, são um dos locais ricos nestas espécies. Atualmente, é possível visitar esta cascata e observar esta diversidade de líquenes e briófitos.

Relativamente à avifauna, a Lagoa das Furnas constitui um excelente local para observar a Garça-real (Ardea cinerea), espécie migratória que pode ser avistada durante todo o ano. Podem também ser observadas outras espécies, como patos e limícolas que aproveitam as margens da lagoa para descansar no decurso das suas rotas migratórias. A área florestada à volta da lagoa funciona com fonte de alimento para algumas, ou abrigo para outras, o que permite também a observação das várias subespécies endémicas da região: Tentilhão (Fringilla coelebs moreletti); Melro-negro (Turdus merula azorensis); Estrelinha (Regulus regulus azoricus); Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica) e o Milhafre (Buteo buteo rothschildi). A lagoa serve também de refúgio para algumas espécies marinhas como Garajaus (Sterna hirundo e Sterna dougallii) e Gaivotas (Larus michahellis atlantis).

A zona envolvente da Lagoa das Furnas caracteriza-se ainda por uma elevada riqueza em espécies de invertebrados como moluscos e insetos, tendo sido registados cerca de 50 espécies de moluscos, dos quais 19 endémicos e cerca de 12 espécies endémicas de insetos. Pode também ser observado o Morcego-dos-Açores (Nyctalus azoreum), único mamífero endémico do arquipélago.

Relativamente à fauna aquática, existem na Lagoa das Furnas as seguintes espécies: Ruivo (Rutillus rutillus); Carpa (Cyprinus carpio); Lúcio (Esox lucius); Perca (Perca fluviatilis) e o Sandre (Sander lucioperca). As duas primeiras espécies são de pesca livre, as três últimas carecem de uma licença de pesca para águas interiores, a ser emitida nas lojas do cidadão (Ponta Delgada ou Furnas).

 

Complexo Vulcânico das Sete Cidades

O local é uma das maiores atrações turísticas do arquipélago e inclui toda a cratera e área de captação das Sete Cidades na ilha de São Miguel e as montanhas menores adjacentes da Serra Devassa. Vários sistemas lacustres ocorrem no local que é composto por uma dúzia de lagoas e lagos relativamente pequenos e as famosas Lagoa Azul e Lagoa Verde,  o maior lago dos Açores (4,38 km2 e 53,2 x 106 m3 de volume de água). Para além da elevada importância paisagística, o complexo é importante como zona de reprodução e de passagem para algumas espécies de aves migratórias a nível regional, especialmente patos e limícolas. A eutrofização dos lagos, a expansão de espécies exóticas invasoras, a intensificação do pastoreio e da pecuária, bem como a erosão, são as principais ameaças a este local, segundo a Convenção Ramsar.

Neste local existe toda uma variada, abundante e muito rica flora endémica da Macaronésia. Nesta zona de paisagem protegida encontram-se também grandes povoamentos de floresta plantada onde se destaca a Criptoméria.

De entre espécies de flora endémica dos Açores e da Macaronésia presentes estão a urze, o cedro-do-mato, bellis azorica, queiró, erva-leiteira, pau-branco, alfacinha, feto-de-cabelinho, feto frisado, patalugo-maior, malvarisco, agrotis gracililaxa chaerophylum azoricum.

O Maciço das Sete Cidades apresenta condições ótimas para a sobrevivência de diversas espécies de aves aquáticas nidificantes, sendo algumas subespécies endémicas dos Açores, como o pombo-torcaz-dos-Açores, galinha-d’água, vinagreira, melro, canário-da-terra, tentilhão-dos-Açores, entre outras. As lagoas servem, igualmente, como local de repouso de aves migratórias, como a garça-real.

Regista-se também a presença do morcego-dos-Açores.

 

Complexo Vulcânico do Fogo

Localizado na parte central da ilha de São Miguel, o local inclui toda a área de captação do complexo do Fogo, com a Lagoa do Fogo, dentro da grande cratera e as nascentes geotérmicas, cachoeiras e fumarolas da Caldeira Velha. O local fornece energia elétrica à ilha através da sua central geotérmica, sendo as nascentes de água das Lombadas também um importante recurso económico, abastecendo a maior parte da ilha e fornecendo água mineral. Ecologicamente, existem vários habitats típicos e ameaçados de turfeiras e florestas de louro que sustentam várias espécies endémicas e nativas de plantas e animais, como a narceja-comum (Gallinago gallinago). As ameaças para o local são principalmente a ausência de vigilância e o despejo ilegal, segundo a Convenção Ramsar.

A caldeira vulcânica, onde se encontra a lagoa, corresponde ao colapso da cratera do estrato-vulcão do Fogo. As encostas são íngremes e cobertas de mato natural, com flora endémica em abundância e diversificada, como é o caso do cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), o louro (Laurus azorica) e o sanguinho (Frangula azorica). Surgem ainda a malfurada (Hypericum foliosum), a urze (Erica azorica) e o trovisco-macho (Euphorbia Stygiana).

A principal fauna são as aves terrestres, como o pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), o milhafre ou o queimado (Buteo buteo rothschildi), a alvéola-cinzenta (Motocilla cinérea) e o melro-preto (Turdus merula azorensis), e as aves marinhas como a gaivota-de-patas-amarelas (Larus cachinnans atlantis) e o garajau-comum (Sterna hirundo), que nidificam na área.

 

Ilhéus das Formigas e Recife Dollabarat

As Formigas são ilhéus vulcânicos que emergem de um extenso monte submarino de depósitos de lava e depósitos de sedimentos fósseis; localizam-se aproximadamente entre as duas ilhas do grupo oriental do arquipélago, Santa Maria e São Miguel. Os recifes são bem conhecidos no Atlântico Norte pela sua alta biodiversidade de peixes pelágicos e demersais que usam o local para alimentação e desova. Existem também pastagens de alga de Laminaria ochroleuca (alga dourada) e colónias de corais negros (Antipathes wollastoni) com menos de 15 metros de profundidade que são um excelente habitat para a garoupa-verdadeira (Epinephelus marginatus), a garoupa-da-ilha (Mycteroperca fusca), o peixe-rainha (Thalassoma pavo) e Centrolabrus caeruleus que pode atingir um bom tamanho, o que é bastante incomum Apesar das ameaças causadas pela pesca ilegal, tanto desportiva como profissional, o local mantém-se em muito bom estado de conservação, de acordo com a Convenção Ramsar.

Outros peixes que abundam nestas águas claras e cristalinas são as patruças (Kyphosus sectator), os peixes-porco (Balistes carolinensis) e os lírios (Seriola spp.) que podem ter grandes dimensões.

Poderá observar-se ainda grandes pelágicos migratórios como o bonito (Katsuwonus pelamis), o atum-patudo (Thunnus obesus) e a cavala (Acanthocybium solandri), as grandes serras (Sarda sarda), bicudas (Sphyraena viridensis), e os enxareús (Pseudocaranx dentex). Por vezes, este cenário fica ainda mais completo com a presença de tubarões, como o mítico tubarão-martelo (Sphyrna zygaena), e o tubarão-das-Galápagos (Carcharinus galapagensis), ou pelas jamantas e até mesmo a gigantesca manta (Manta birostris).

Para além dos grandes cardumes, abunda neste local a vida submarina, em especial as espécies de grande porte como os peixes-cão (Pseudolepidaplois scrofa), os meros (Epinephelus marginatus) e badejos (Mycteroperca fusca), por entre os declives e fendas.

Os Ilhéus das Formigas apresentam 11 m de altitude máxima e, em profundidade, dão continuidade, sobretudo para sul, ao Recife Dollabarat.

 

Recife Dollabarat

Foto: Mantamaria Dive Center

O recife de Dollabarat é um baixio que se localiza a 3 milhas náuticas a sul-sueste dos ilhéus das Formigas e é parte integrante da Reserva Natural do Ilhéu das Formigas, com uma área de 52 527 ha, criada em 1988 e reclassificada em 2003 pelo parlamento açoriano como Reserva Natural Regional.

A profundidade mínima é de 3 metros abaixo do nível do mar. Trata-se de uma das zonas mais elevadas dos ilhéus das Formigas, constituindo-se num monte submarino de génese vulcânica, formado numa época em que aquela zona estava submersa. Por esta razão, os fundos são constituídos por acumulações de escoadas lávicas subaéreas de morfologia irregular, onde grandes maciços rochosos e zonas irregulares surgem entremeados com plataformas cobertas por tapetes de algas Cystoseira sp.

Como zona oceânica, apresenta numerosa e diversificada fauna pelágica característica, como patruças, peixes-porco, jamantas, lírios, tubarões, tartarugas e golfinhos. Os meros são frequentes entre os 10 e os 40 metros de profundidade.

Em zonas um pouco mais profundas (cerca de 50 metros) existem povoamentos de laminárias da espécie Laminaria ochroleuca.

 

Paul da Praia da Vitória

Foto: Life CWR

Foi designado como Sítio Ramsar em 2012. Fica localizado no centro urbano da Praia da Vitória, ilha Terceira.

A localização estratégica do pântano permite a observação de um número considerável de aves migratórias dos continentes europeu e americano.  A importância do local pode ser medida pela presença de um número considerável de espécies endémicas (por exemplo, Columba palumbus azorica (pombo-torcaz-dos-Açores), Fringilla coelebs moreletti (tentilhão) e Motacilla cinerea patriciae (alvéola-cinzenta). Nele também podem ser encontrados alguns peixes e mamíferos, notavelmente o Anguilla anguilla (enguia) e o morcego Nyctalus azoreum (morcego-dos-Açores), ambos considerados em perigo de extinção pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

O Paul da Praia da Vitória possui um papel importante no regulamento do ciclo hidrológico local, sendo que o seu corpo de água funciona como um sistema absorvente das escorrências superficiais da bacia hidrográfica envolvente.

Para além da sua inegável beleza, estas zonas húmidas dos Açores são de suma importância para o equilíbrio do ecossistema, sendo lar de muitos peixes e moluscos. São locais de nidificação ou de refúgio de aves endémicas ou migratórias, permitem o crescimento de flora endémica e nativa, são reguladoras de regimes hídricos, constituem um recurso de grande valor económico, científico, cultural e recreativo para as comunidades envolventes e desempenham um papel vital de adaptação e mitigação nos processos de alteração climática, e há que tomar medidas para as proteger a todo o custo.

 

Ana Oliveira

 

Fontes: http://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-natureza/conteudos/livres/Dia+Mundial+das+Zonas+H%C3%BAmidas+Ramsar.htm

http://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-natureza/menus/secundario/%C3%81reas+RAMSAR/

http://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-natureza/conteudos/livres/Dia+Mundial+das+Zonas+H%C3%BAmidas+Ramsar.htm?lang=pt&area=ct

https://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-natureza/conteudos/livres/Listagem+dos+s%C3%ADtios+Ramsar.htm

https://zonashumidasportugal.weebly.com/siacutetios-ramsar.html#

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa_da_Faj%C3%A3_de_Santo_Cristo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa_da_Faj%C3%A3_dos_Cubres

https://parquesnaturais.azores.gov.pt/pt/parques/4/areasprotegidas/21

https://pt.wikipedia.org/wiki/Furnas_do_Enxofre

https://www.azoresgeopark.com/geoparque_acores/geossitios.php?id_geositio=21

https://www.azoresgeopark.com/geoparque_acores/geossitios.php?id_geositio=1

https://www.azoresgeopark.com/geoparque_acores/geossitios.php?id_geositio=1

https://www.azoresgeopark.com/geoparque_acores/geossitios.php?id_geositio=16

https://rsis.ramsar.org/ris/

https://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-cets/conteudos/livres/Geoturismo.htm

https://www.azores.gov.pt/Gra/srrn-cets/conteudos/livres/APP+das+Furnas.htm

https://snirh.apambiente.pt/junior/concurso2010/escolas/ExternatoMarcelinoChampagnat/SJ4d35675c30690.pdf

Zonas Classificadas

http://dive.visitazores.com/pt-pt/divespots/ilheus-das-formigas

http://www.cmpv.pt/minisites/life/index.php?op=textos&codtexto=16

 

Se gostaste deste artigo, de certeza de que irás gostar:

 

Top Azores: A Floresta Laurissilva e a flora endémica dos Açores

Top Azores: 20 criaturas fantásticas dos mares dos Açores

Top Azores: 13 Animais Autóctones e Endémicos dos Açores

22 aves que tornam o céu no melhor lugar dos Açores

Partilhe