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Mini-Entrevista a Teresa Canto Noronha: “Tantas pessoas parecem confundir jornalismo com pseudo-notícias sem qualquer credibilidade”

 

A jornalista açoriana Teresa Canto Noronha irá lançar no dia 13 de Novembro, às 18:00 h, o seu primeiro livro, Notas da Ilha, por Lena Goulart, na Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada.

Com uma carreira de 30 anos no jornalismo, estando a trabalhar atualmente na SIC, a Agenda Açores quis saber as razões que levaram Teresa Canto Noronha querer editar agora o seu primeiro livro. Pedimos também que partilhasse connosco um pouco sobre a sua vida e a relação que tem com a sua cidade natal, Ponta Delgada, e com a que vive na actualidade, Lisboa, e os principais desafios do jornalismo nos dias que correm.

 

 

1 – Nasceu em Ponta Delgada, em 1967, mas mudou-se para Lisboa para estudar Engenharia Química no Instituto Superior Técnico de Lisboa, aos 18 anos. E é nesta cidade que vive actualmente, onde trabalha como jornalista da SIC e como artista plástica. Ao longo dos anos, muita coisa mudou. Que diferenças foi notando ao longo do tempo nestas duas cidades e qual a sua opinião em relação a estas mudanças?
Ponta Delgada mudou muito nestes últimos anos. Voltou a ganhar parte da vida que tinha quando eu era criança e adolescente. Mesmo assim, creio que há ainda muito a fazer na recuperação de alguns dos edifícios mais antigos e na dinamização do comércio nas ruas centrais da cidade. Há uma nova animação, que muito deve ao turismo, claro, e que me parece estar a contribuir positivamente para a reabilitação urbana. Há muito mais oferta cultural do que quando eu era miúda. E isso é maravilhoso. Felizmente, apesar do passar do tempo, não perdeu aquele ar nostálgico que sempre me encantou.

Quanto a Lisboa, tornou-se uma capital muito cosmopolita nestes mais de 30 anos. Uma cidade onde me sinto em casa e onde, mesmo com a enchente de alojamentos turísticos, ainda há muitos bairros que são o que sempre foram: microcosmos alfacinhas.

2 – Em 2017 criou o blogue “Notas da Ilha” no Facebook, onde publica, regularmente, crónicas e textos sobre as vivências na ilha e fora dela e sobre as memórias de uma infância e adolescência passadas em São Miguel. Porque sentiu necessidade de o criar? Porque decidiu agora transformar este projecto em livro?
A ligação a S. Miguel é tão profunda quanto os laços familiares.

Depois de alguns anos sem ir frequentemente à ilha, a reaproximação tem sido tão intensa, as memórias regressaram tão fortes, e a identificação como pertencendo a um lugar, tão intrinsecamente presente, que só fazia sentido passá-las para palavras escritas.

Durante dois anos, foram publicadas na página de Facebook que criei mas sempre com a noção de que, um dia, poderiam ganhar a forma de livro. O desafio foi-me lançado, primeiro, pelo Nuno Costa Santos, a quem devo a motivação para sair da Internet e a quem, também devo, o ter-me posto em contacto com a Letras Lavadas.

 
3 – Nunca chegou a terminar a sua licenciatura em Engenharia Química, no entanto começou a exercer jornalismo em 1989. Como surgiu esta oportunidade? E que desafios enfrenta a profissão na actualidade? 
Felizmente nunca acabei Engenharia. Embora reconheça que os anos que passei no Instituto Superior Técnico foram muito importantes porque me ensinaram a pensar de uma forma mais estruturada. A construir raciocínios esquemáticos e a nunca aceitar a primeira solução sem, antes, perceber se existem outras mais eficazes.

O jornalismo surgiu em 1988 com um estágio no antigo jornal Semanário e depois, em 89, com a entrada para a RTP, onde estive até 2003. Fui eu que me propus ir estagiar para o jornal, para ver se era mesmo aquilo que queria fazer. E nunca mais parei.

Nos últimos anos na RTP fui correspondente em Bruxelas e, depois, mudei-me para Roma onde vivi até 2006 e onde comecei a trabalhar para a SIC – onde estou até hoje.

O jornalismo enfrenta alguns dos maiores desafios a que assistimos nos últimos anos, sobretudo a falta de sentido crítico e a facilidade com que tantas pessoas parecem confundir jornalismo com pseudo-notícias sem qualquer credibilidade.

É preciso que os telespectadores, leitores e ouvintes se lembrem que a liberdade de imprensa, e a deontologia que rege o trabalho da grande maioria dos jornalistas são, também, garantes da democracia e da liberdade de escolha.

 

Entrevista elaborada por Ana Oliveira

 

O livro Notas da Ilha encontra-se à venda na Livraria Letras Lavadas e na sua loja online, na seguinte ligação: https://www.letraslavadas.pt/loja/cronica/notas-da-ilha/

 

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