Top Azores: As 17 melhores primeiras linhas de alguns livros editados pela Letras Lavadas

Top Azores: As 17 melhores primeiras linhas de alguns livros editados pela Letras Lavadas

Ana Ferraz da Rosa – A cidade sem nome

“Ao todo éramos cinco, mais a mãe. Tínhamos sempre tanto para dizer, mesmo quando já estava tudo dito. Naquele dia ficamos diferentes. Andámos de um lado para o outro, sigilosos e contidos, num velório de horas e minutos.”
 

Almeida Maia – A viagem de Juno

“Não havia mais nada do que nada. E trevas. Vozes toldadas e um murmurar no limite da audição. Eram fragmentos de uma conversa robotizada: funcionamento cerebral, atividade cognitiva e ondas alfa e gama. As vozes diziam que ia ficar tudo bem. Ia ficar tudo bem”.

 

Carlos Tomé – O Bracinho

“O meu pai não disse uma palavra quando me viu pela primeira vez. Tampouco olhou para a minha tia Teresa ou para a parteira Sofia, meio trémulas na sua frente, formando uma espécie de escudo protetor à volta da cama onde minha mãe, mais assustada do que exausta pelo parto, me segurava nos braços.
 

João Pedro Porto – Fruta do chão

“Claridade e podridão são para todos os que vêem caídos da púa ao chão, encharcados de sol até ao caroço e sem sombra que lhes valha. E não há fruta que se fique de ramagens, a apodrecer no alto. Somos todos fruta do chão.”
 

Luís Rego – A Fajã de Cima, ou como a bota de cano se tornou mais atraente que o salto alto

“Agora que a Fajã de Cima já não existe, quase que consigo ter saudades. Saudades do ar fresco, da montanha, da humidade, do frio e do inóspito.”
 

Manuel Ferreira – O Barco e o Sonho


“Os dois, Vítor e Evaristo, eram unha com carne, mais que irmãos, nados e gerados no mesmo saco.”
 

Emanuel Jorge Botelho – 30 crónicas


“Estes livros já tinham, julgava eu, tropeçado no silêncio. Não no silêncio bom, aquele que acarinha a nossa sombra, mas no outro, o que atira para a memória o cerco do esquecimento.”
 

Paula de Sousa Lima – Mas Deus não dá licença que partamos

“Mas só deram por isso quando a torre da igreja se desmoronou, só então deram por isso, embora há tanto tempo que não chove, já nem me lembro da última vez, no dia do casamento, pois, uma carga de água, mas foi só para enganar, e o bezerros, não percebo, as éguas sem parir, os frutos malsãos, os campos com a cor a apagar-se.”
 

Aníbal C. Pires – O outro lado

“Partir querendo ficar
chegar para de novo partir
na ilha há um cais
no ilhéu mora a saudade
do mar e do céu
fundidos no horizonte
para além da ilha
outras ilhas
de saudade
do tranquilo verde,
do imenso azul,
do futuro no alvorecer renovado em cada madrugada
 

Urbano Bettencourt – Que paisagem apagarás

“Quando acabou de arrumar a bagagem, modesta, Antero sentou-se. Era o único passageiro do compartimento, mas este seria, seguramente, um luxo efémero. Lá fora, uma chuva miúda erguia uma cortina de poeira, através da qual uma luz tímida se infiltrava.”

 

Orquídea Abreu – Fragmentos da tua luz

“Era tarde e eu rondava a casa à procura dos teus sinais:
no teu livro sobre a mesa, o teu cheiro na última camisa, na chávena de chá
lilás já frio que deixaste no alpendre,
a tua caneta que afaguei para sentir o calor da tua mão,
o perfume da tua pela que deixaste nos lençóis, na toalha que secou o teu corpo pela manhã.”
 

Leonardo Sousa – Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida

“Tudo ruiu quando a criança
olhou o sangue da mãe na parede.
Pressionou a sombra dos dedos
sobre a maçaneta
para que os relógios suspendessem o tempo.”

 

Maria das Mercês Pacheco – Contos a rimar. Histórias de espantar


“Que o dragão padeça
de eterna dor de cabeça!”
– Exclamou Dom Rangel
Do alto do seu corcel.

 

Raul Brandão – As ilhas desconhecidas


“Enquanto a gente vê terra não tira os olhos – não pode – de um resto de areal, dum ponto violeta que desmaia e acaba por desaparecer na crista de uma vaga. Um ponto e acabou o mundo.”
 

Adelaide Freitas – Sorriso por dentro da noite 


“Tudo ali aconteceu, quando a Xana balbuciou mammãã…
Estava-se na primavera. Gota a gota, caiam as primeiras chuvas de Abril – the cruelest month. Cruel também era o que a minha avó acabava de ouvir.”
 

Raquel Ochoa – Sem fim à vista (A viagem)


“O vento chega e modifica, não deixa a praia igual, assim são as viagens”.
 

Maria Orísia Melo/Conceição Melo Cabral –  Saberes e Sabores dos Açores


“Pastéis de Feijão. Com 500gr de açúcar e um pouco de água faz-se ponto de espadana, juntando-se em seguida 100g de feijão branco cozido e ralado.”

 

Bem sabemos que a Letras Lavadas tem muitos mais títulos e livros com excelentes primeiras linhas, esta é apenas uma pequena selecção. Partilhe connosco a sua opinião e os livros que deveriam fazer parte desta lista.

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