Top Azores: Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico – Património Mundial da UNESCO

Top Azores: Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico – Património Mundial da UNESCO

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico insere-se na área da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico e, desde 2004, inclui-se na lista do Património Mundial da UNESCO, e venceu, a 7 de setembro de 2019, o concurso European Garden Award, na categoria de “Melhor Desenvolvimento de uma Paisagem Cultural de Relevância Europeia“, na Alemanha. Os European Garden Award são atribuídos bienalmente pela European Garden Heritage Network. Na categoria “Melhor Desenvolvimento de uma Paisagem Cultural de Relevância Europeia” são premiadas as políticas, medidas ou intervenções de grande escala que promovam a salvaguarda dos valores naturais e culturais e a qualificação de paisagens culturais relevantes, contribuindo a revitalização do território.

Neste artigo, pretendemos dar-te a conhecer um pouco a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico e os motivos pelos quais ela merece tudo o que é prémio!

 

Paisagem da Cultura da Vinha do Pico

Vinha na Criação Velha (Madalena)

A área da vinha em currais na Paisagem da Cultura da Vinha do Pico é composta pelos lajidos* da Criação Velha e de Santa Luzia, cuja área de vinha em produção ascende em mais de 700 hectares, prevendo-se que, em breve, a área de produção ultrapasse os 800 hectares, quase sete vezes a área em produção no ano de 2004, quando foi considerada Património Mundial da UNESCO.

*Os lajidos são campos de lava bem preservados resultantes de escoadas lávicas tipo pahoehoe (a superfície é macia e encordada).

A Paisagem da Cultura da Vinha do Pico é considerada Património Mundial da UNESCO, pois foram-lhe reconhecidas as excelentes representações da arquitetura tradicional, do desenho da paisagem e dos elementos naturais, e também por ser rica em beleza geológica e paisagística, em que a diversidade faunística e florística têm estatuto de proteção.

Esta paisagem começou a desenhar-se com o prodigioso esforço do Homem ao limpar a terra rasa das pedras vomitadas pelo vulcão, que não sendo utilizadas na construção de muros, foram acumuladas num local. Assim, nos séculos XVII-XVIII, erigiram amontoados de pedras que originaram uma paisagem monumental, dominada por montes de formas cónicas, formando grandes degraus ou apresentando uma estrutura alongada, orientadas na direção do sol, conhecidas localmente por ‘maroiços‘.

Poderás vê-los na Rua Conselheiro Miguel António da Silveira, na Madalena; na Rua das Dores, antiga Estrada Regional; Bacelo e Valverde, na Criação Velha, na Rua General António Ribeiro.

O carácter único desta paisagem surgiu perante as adversidades da natureza, quando o Homem transformou a pedra improdutiva no seu modo de sobrevivência, ao cultivar a vinha das fendas existentes nas bancadas de basalto. Com sabedoria e criatividade, ergueu um gigantesco rendilhado de muros para a proteção da vinha dos ventos fortes e do rossio do mar. O reticulado de muros que foram característicos “currais” impressiona pela sua perfeição e grandiosidade. Esta malha de currais de vinha longitudinais, marcadas por muros de pedra paralelos com altura inferior a um metro, formam as unidades paisagísticas denominadas de “Canadas“.

Currais

Outros elementos característicos desta paisagem associados ao árduo trabalho da cultura da vinha são os poços de maré, as “canadas”, os “descansadouros”, as “bocainas”, as “rilheiras”, as “rola-pipas” e os portos e embarcadouros, que testemunham a importância da produção do vinho.

A Paisagem da Cultura da Vinha resulta da sabedoria popular na proteção da vinha, originando um modelo arquitetónico que testemunha uma tradição cultural com diferentes etapas da história humana da ilha. O reticulado de “currais”, erguidos com basalto negro, encontra-se ligado por “bocainas” e separados perpendicularmente por “canadas”. A escassez de meios e vias de transporte obrigava a longas caminhadas com cestos de uva ao longo das “canadas”, sendo por isso edificados pequenos paredões rematados com pedra lisa, denominados “descansadouros”, que serviam para o carregador fazer a carga e descarga sem ajuda.

Nesta fotografia poderá ver-se os currais, as bocainas e as canadas

Os solares, reservados a habitação de veraneio, envolviam outras infra-estruturas de apoio à produção, como adegas, casas de abrigo, construídas nas vinhas com paredes de pedra seca e cobertura de meia água, armazéns e lagares, sendo estes outros elementos que caracterizam a paisagem da vinha.

Relheiras

As “relheiras“, marcas da passagem intensa dos carros de bois nas lajes de basalto, como os “rola-pipas” – as rampas talhadas no basalto áspero para facilitar o transporte de pipas até aos portos ou embarcadouros – são elementos integrantes na paisagem que testemunham a importância da produção em tempos passados. A escassez de água levou à realizaçao de furos para captação, denominados poços de maré.

Rola-pipas

E é nesta região demarcada, junto ao mar, em fendas de rochas, os “currais”, que é produzido o vinho do Pico. Como os currais são de basalto negro, absorvem o calor e envolvem as videiras na época da maturação, o que confere riqueza do mosto em açúcares.

O reconhecimento da excelente qualidade das castas Arinto, Verdelho e Terrantez estiveram na base da criação da Região Demarcada que deu origem ao VLQPRD Pico, Lajido e Frei Gigante, da Adega Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico

Na Adega Cooperativa, localizada na Avenida Padre Nunes da Rosa, 9, na Madalena, poderá saborear vinhos brancos, tintos e licorosos, além de poder apreciar algumas casas solarengas pertencentes a produtores do Verdelho.

 

Conhecer mais!

 

Centro Interpretativo da Paisagem da Vinha

Foto: DR

Sabe mais sobre a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico no Centro Interpretativo da Paisagem da Vinha, situado na Rua do Lajido de Santa Luzia, em São Roque do Pico. Este Núcleo Museológico promove visitas guiadas pela Paisagem da Cultura da Vinha, estando incluída a prova de vinhos.

Telemóvel: +351 965 896 313.

E-mail: pnpico.culturadavinha@azores.gov.pt

Horários:

De 1 de novembro a 31 de março – De terça a sexta-feira das 10 às 17:00 h. Fins-de-semana e feriados (com exceção do Ano Novo, Carnaval, Páscoa e Natal) das 14 às 17:30 h.

De 1 de abril a 31 de outubro – Todos os dias das 10 às 18:00 h. Encerra na Páscoa.

Visitas guiadas: mediante marcação prévia com um mínimo de 48 horas de antecedência

Duração da visita: 30 a 45 minutos

Número de pessoas por visita: 4 – 20

Preçário

Criança (0 – 6 anos): Grátis. As crianças até aos 12 anos devem apresentar-se acompanhadas por um adulto.

Júnior (7 – 14 anos): 1,00 €

Adulto (15 – 64 anos): 3,00 €. Oferta de degustação de um vinho licoroso. A oferta só se aplica a indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos.

Sénior (+ 65 anos): 2,00 €. Oferta de degustação de um vinho licoroso.

Família (2 adultos e filhos até 14 anos): 6,00 €. Oferta de degustação de dois vinhos licorosos.

Residente na RAA*: Grátis

Visita Guiada ao Lajido de Santa Luzia (As visitas guiadas são realizadas para um mínimo de 4 pessoas, mediante marcação prévia):

Criança (0 – 6 anos): 5,00 €

Júnior (7 – 14 anos): 5,00 €

Adulto (15 – 64 anos): 5,00 €

Sénior (+ 65 anos): 5,00 €

Família (2 adultos e filhos até 14 anos): 5,00 €

Residente na RAA: 5,00 €

Bilhete Único Lajido (visita ao Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico e Casa dos Vulcões):

Criança (0 – 6 anos): Grátis

Júnior (7 – 14 anos): 4,00 €

Adulto (15 – 64 anos): 8,00 €

Sénior (+ 65 anos): 4,00 €

Família (2 adultos e filhos até 14 anos): 16,00 €

*Mediante apresentação do Cartão de Cidadão.

 

Museu do Vinho

Associada à tradição vitivinícola, surgiu o Museu do Vinho, inaugurado em 1999, que é parte integrante do Museu do Pico e um importante pólo de divulgação da cultura da vinha e do vinho, possuindo uma coleção etnográfica representativa dos vários momentos do ciclo do vinho. Este núcleo museológico promove, durante o mês de setembro, provas de vinhos e visitas organizadas às vinhas, possibilitando a participação dos visitantes nas vindimas.

Na Rua do Carmo, Madalena.

Telefone: (+351) 292 622 147
Email: museu.pico.info@azores.gov.pt

Horário de verão (01 de abril a 30 de setembro)
3.ª a Domingo: 10h00 – 17h30
Encerrado à 2.ª feira

Horário de inverno (01 de outubro a 31 de março)
3.ª a Domingo: 09h30 – 17h00
Encerrado à 2.ª feira

 

Os sabores de uma tradição secular reconhecida qualidade encontram-se no néctar generoso produzido nestas lajes de pedra. Por isso se diz que no Pico “da pedra se fez vinho”. E tu? Já provaste algum vinho do Pico? Qual o teu preferido? Já visitaste a Paisagem da Vinha? Comenta aqui ou na nossa página do Facebook!

 

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