Mini Entrevista a Susana Rodrigues: «Espero que este ‘bando’ possa contribuir de algum modo para a inclusão – não apenas dos Surdos, mas de toda a pessoa»

Mini Entrevista a Susana Rodrigues: «Espero que este ‘bando’ possa contribuir de algum modo para a inclusão – não apenas dos Surdos, mas de toda a pessoa»

Depois do sucesso do seu livro de estreia, Madrugada, Susana Almeida Rodrigues irá apresentar o seu segundo trabalho, “Um Bando nas Cócegas do Vento”, uma edição Letras Lavadas, no dia 27 de setembro, às 18:00 h, no Ateneu Comercial de Ponta Delgada. Com esta entrevista, pretendemos desvendar um pouco mais sobre este livro que nos conta a história de Allegro, um Priolo que nasceu surdo, e o modo como os pais, a comunidade e os seus pares reagem à sua condição de «diferente».

 

1. Um Bando nas Cócegas do Vento é um livro que aborda a problemática da diferença, e a tudo a que a ela diz respeito, desde a difícil aceitação dos pais perante a deficiência do filho, neste caso a surdez, o preconceito dos pares e da comunidade em relação a isso, e a importância da amizade e do sentimento de pertença para a saúde e felicidade. O que a levou a escrever sobre este tema?

Essa é uma pergunta difícil porque a escrita muitas vezes não é necessariamente intencional no momento em que surge; quase sempre é a expressão de algo que nos tocou. Só depois ganha intencionalidade e então é trabalhada. Desde sempre lidei com pessoas diferentes que me deixaram uma marca indelével. O contacto próximo com a realidade destas pessoas obriga a mudar o olhar. Decerto, também, que o meu envolvimento com a Educação Especial, agora designada de Educação Inclusiva, não é alheio a este propósito.

2. As personagens deste livro são aves endémicas e nativas dos Açores, cujo protagonista é Allegro, um Priolo surdo. E como todos os livros de animais, Um Bando nas Cócegas do Vento é uma metáfora da condição humana. Porquê pássaros? O que é que as aves têm em comum connosco, seres humanos?

Curiosamente, os pássaros têm sido sempre muito presentes na minha vida, e exercem sobre mim um fascínio que não sei explicar. Adoro observá-los; remetem para um sentido de evasão e liberdade – condições de ser pessoa.

3. É professora de Educação Especial e trabalha com alunos surdos há mais de 20 anos. De que forma o livro Um Bando nas Cócegas do Vento nos pode ensinar a lidar com a pessoa surda e combater o preconceito?

Espero que este “Bando nas Cócegas do Vento” seja mensageiro e consiga sensibilizar para as questões da identidade e cultura da pessoa Surda – nomeadamente a consciencialização para a importância da língua gestual como forma de acesso à comunicação, à educação e inclusão. A perspetiva de ser Surdo aqui apresentada não se dirige à limitação mas aponta para uma visão socioantropológica que aceita as diferenças linguísticas e culturais. Espero que este “bando” possa contribuir de algum modo para a inclusão – não apenas dos Surdos, mas de toda a pessoa.

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