Mini-Entrevista a Malvina Sousa: “Este livro pretende alertar e ser uma voz contra a violência de género”

Mini-Entrevista a Malvina Sousa: “Este livro pretende alertar e ser uma voz contra a violência de género”

Até que a violência nos separe é o mais recente trabalho de Malvina Sousa, que será apresentado no dia 21 de maio, às 18:30 h, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada pela Doutora Piedade Lalanda, autora do prefácio da obra.

O foco de Até que a violência nos separe é precisamente a violência doméstica e de género, um tema bastante debatido na atualidade. E a Agenda dos Açores não poderia perder a oportunidade de fazer uma pequena entrevista à autora.

1 – Até que a violência nos separe é um livro que aborda diversos casos de violência de género, um assunto que está na ordem do dia, não sendo raras as notícias de mulheres assassinadas pelos companheiros. Veio daí a “urgência” em escrever este livro?

Na verdade, o assunto que hoje está na ordem do dia é uma temática que já era urgente tratar, debater e denunciar há muitos anos atrás e, infelizmente, continua a sê-lo. A única diferença é que agora já se fala de forma mais aberta na violência, mas nem isso levou a que esta existisse ou acontecesse menos.

Perante tal realidade, e sendo eu uma pessoa atenta ao que me rodeia e a diferentes problemáticas que atingem a nossa sociedade, e tendo em conta a minha forma de estar na vida, achei que era meu “dever” escrever acerca desta temática. Deste modo, foi a conjugação de todos estes fatores que me levou a este livro, que pretende alertar e ser uma voz contra a violência de género, o pano de fundo e cenário constante ao longo do mesmo, mas que também deseja ser a voz do amor e do sentir, nas suas diversas configurações, por todas as outras histórias e dimensões que aborda.

 

2 – Por mais ações de sensibilização que haja para a questão da violência de género, parece que ainda é um fenómeno recorrente e até considerado “normal” em algumas camadas da sociedade, e começa nas mais jovens que consideram alguns atos abusivos como “demonstrações de amor”. Esta forma de agir e de pensar agrava  este flagelo social? Qual é a importância que pode ter o feminismo no combate ao mesmo?

De facto, vários atos de violência, sobretudo na sua forma psicológica, são sentidos pelas vítimas como uma expressão de amor por parte do agressor. Mas isso não acontece apenas nas camadas mais jovens, como não sucede só em determinadas classes sociais ou apenas num género. Esta é uma realidade transversal e que, acredito, pode estar relacionada, entre outras coisas, com a incapacidade cada vez maior que as pessoas têm de se relacionarem, bem como com a falta de atenção, de cuidado e de amor a que assistimos hoje na sociedade. E isso começa nas camadas mais jovens e, depois, reflete-se nos adultos que se tornam e que vão desculpabilizando tudo que acontece, chegando a acreditar que o amor também é isso, também pode ser violência.

No que diz respeito à importância do feminismo em todo este cenário, gostava de realçar que, de facto, constata-se que um grande número de vítimas são mulheres, mas não são só estas a sofrer de violência. Por esta razão, eu não acho que seja ou possa/deva ser o feminismo a ter um papel importante nesta luta, mas sim o humanismo! O respeito pelo outro, o amor próprio e o direito a ser feliz é um direito de todos e não apenas das mulheres. Precisamente por isso, todos nós temos de nos unir na luta contra esta realidade e este não tem nem deve nem pode ser um papel exclusivo das mulheres.

 

3 – A Malvina é uma pessoa atenta ao que a rodeia e este livro é uma forma de o demonstrar, pela temática que decidiu abordar. Que outras mensagens nos deixam o livro Até que a violência nos separe e que nos revelam este seu lado, permitindo-nos conhecê-la melhor?

Sem querer revelar muito, posso dizer-lhe que este livro, para além de querer ser uma voz de luta contra a violência, mostra-nos também o que é o amor, o companheirismo, a dádiva, a amizade, a luta e a perseverança. Mostra-nos a importância de estarmos atentos aos outros, de fazemos bem e ajudarmos, simplesmente porque alguém precisa e sem esperarmos nada em troca. Mostra-nos, ainda, que nós não somos aquilo que vivemos nem podemos deixar que aquilo que nos acontece defina o que queremos ou o que seremos! Relembra-nos que todos temos direito à felicidade e que devemos lutar por ela. Este livro, de tantas formas, é feito de sentir. Porque sem sentir… nós não somos nada!

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