Mini Entrevista a Luís Rego: «A lógica que deveria imperar na escrita falhou por completo no meu caso»

Mini Entrevista a Luís Rego: «A lógica que deveria imperar na escrita falhou por completo no meu caso»

Mini Entrevista a Luís Rego: «A lógica que deveria imperar na escrita falhou por completo no meu caso»

 

O ano de 2019 foi sem dúvida um bom ano para o copywriter Luís Rego, que também se refere a si como “aquele tipo que escreve umas coisas“. Lançou o seu segundo livro infanto-juvenil, Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos, que foi considerado pelo jornalista e crítico literário José Santos Narciso como um dos livros que marcaram o ano, e foi distinguido como o talento literário da Região de 2019 pelo jornal Correio dos Açores.

À Agenda Açores, Luís Rego afirma ter sido apanhado de surpresa com as distinções atribuídas e com o seu habitual sentido de humor diz-nos que “as pessoas que ainda não leram a “Fajã” [seu livro anterior, editado em 2018] não ficam a perder absolutamente nada”.

 

1 – Foste recentemente distinguido como o talento literário da Região de 2019 pelo jornal Correio dos Açores, na edição de 31 de dezembro de 2019. Como soubeste e te sentiste ao receberes esta distinção?

Este é um daqueles casos em que me sinto um pouco como um dos cornos da rena, porque fui praticamente o último a saber de tal distinção. Aliás, fiquei a saber já por reverberação e acabei por ficar primo de muita gente nesse dia.

É claro que seria um grande mentiroso se não assumisse que tenho um enorme orgulho em fazer parte de um lote de pessoas tão talentosas.

Porém, tenho a noção que muito pouco quer dizer, quanto mais não seja por acreditar que existem pessoas tão ou muito mais talentosas do que eu no campo da escrita.

É um pouco como uma viagem na montanha russa. É super emocionante, mas o depois preenche todo o resto, que é quase tudo. Ou seja, a vida continua em forma de agradecimento ao Correio dos Açores, ao António Pedro Costa e a todos os talentos criativos dos Açores.

2 – O teu livro Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos foi também considerado como um dos livros que marcaram 2019, pelo jornalista e crítico literário Santos Narciso, na sua coluna Leituras do Atlântico, do semanário Atlântico Expresso, de 6 de janeiro de 2020. Quanto é que lhe pagaste para figurares o teu livro nesta ilustre lista?

É certo e sabido que existe todo um empreendimento comercial por detrás deste exercício de escrita. E este passa por criar uma nova moeda. Os chicharros do Mané Cigano! Que se lixe o escudo! Queime-se o Euro! Foi com estes argumentos que convenci o Santos Narciso a escrever o artigo. Uma dose de chicharros, doze livros de 2019. Aos dez enfartou-se, e como eu o compreendo, ainda para mais com o pão de milho, feijão no forno, cebola de curtume, batata rosada.

Para mim, a grande surpresa foi ele ter escolhido o meu livro para fazer parte desta lista. E sei que ele lê muito, e que valerá assim por uns 10 ou 15 leitores, pelo que jamais 12 chicharros Mané seriam capazes de toldar a opinião do nosso mais que querido Santos Narciso. Assim sendo, sou obrigado a concluir que me confundiu com um outro Luís Rego qualquer.

3 – Além de Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos escreveste A Fajã de Cima. Ou como a bota de cano se tornou mais atraente que o salto alto, que também foi muito bem recebido pela crítica especializada e pelo público leitor. O que é que as pessoas que ainda não o leram ficam a perder?

As pessoas que ainda não leram a “Fajã” não ficam a perder absolutamente nada. E estão numa zona chamada “agora não me aborreças com isso”. Tenho o maior respeito por essa zona, porque vivo nela 99% do meu tempo.

Para todos os outros, que basicamente se devem resumir à minha Mãe, e ao meu filho Sebastião, que tem 2 anos, eu diria que a lógica que deveria imperar na escrita falhou por completo no meu caso. Primeiro, deveria vir o livro infantil e depois o trabalho mais complexo, mais profundo. Foi ao contrário, talvez porque direito haveria de ficar. Ou seja, o livro infantil em vez de criar a expectativa sobre o que poderia vir a seguir, gerou a curiosidade sobre o que já teria sido escrito. Pode parecer um pormenor, mas pensemos bem, retira imensa pressão sobre a escrita.

Em caso de dúvida perguntem ao Gonçalo M Tavares, que já tem os seus próximos 5 livros escritos.

 

Entrevista por Ana Cláudia Oliveira

 

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