Mini-Entrevista a Luís Rego: «As convenções e as regras são um pouco como pequenos demónios para mim»

Mini-Entrevista a Luís Rego: «As convenções e as regras são um pouco como pequenos demónios para mim»

Luís Rego irá lançar no dia 7 de dezembro, às 16:00 h, o seu terceiro livro, Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos, um livro infanto-juvenil com ilustrações de Sara Azad, e a equipa da Agenda Açores decidiu dar-lhe uma pequena entrevista, em que foram focados as similaridades com o livro A Fajã de Cima. Ou como a bota de cano se tornou mais atraente que o salto alto e o seu inusitado sentido de humor e criatividade na escrita, criando, assim, obras literárias fora da caixa e com um cunho extremamente pessoal, já conotado com o autor.

1 – Irás lançar no dia 7 de dezembro, na Livraria Letras Lavadas, o teu terceiro livro, segundo infanto-juvenil que publicas, intitulado de Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos, que tem similaridades com o livro A Fajã de Cima. Ou como a bota de cano se tornou mais atraente que o salto alto, desde a menção das botas de cano no subtítulo, como a apropriação do trenó usado por Fidel Castro na sua visita póstuma a esta freguesia de Ponta Delgada. Que outros elementos têm estes dois livros em comum?

A pergunta está tão bem feita e com um espectro e alcance tão grande, que a resposta jamais terá metade do interesse. Sim, estes são os dois grandes pontos em comum. Primeiro, porque quis tirar algum partido da dinâmica que o subtítulo poderia oferecer ao reconhecimento dos dois títulos. Porém, não existe uma ideia de saga ou continuidade. São duas histórias distintas, que talvez partilhem uma identidade linguística e cultural semelhante. Cresceram em tempos muito distintos, mas no mesmo vaso. Por isso, podemos falar de uma ligação, entre as duas obras, mas não mais que isso, pelo que, quem adorou a Fajã de Cima poderá estar à espera de que este livro seja uma continuidade e, neste sentido, será uma decepção, ou será uma enorme alegria para quem o descobrir sem qualquer julgamento de valor ou preconceito. A vida é um pouco isto.

2 – Um Natal nos Açores. Ou como o Pai Natal trocou as botas de cano pelos chinelos não é aquela histórica típica de Natal para crianças, rompendo com muitos dos cânones literários do género e com os seus característicos clichés. Conta-nos como se desenrola o teu inusitado processo criativo. De onde vem tamanha imaginação?

As convenções e as regras são um pouco como pequenos demónios para mim. A primeira coisa que tento é infringir, testar os limites. Este é um pequeno ponto de partida. Outro, tem a ver com a capacidade de absorção, quanto mais glutão se for a absorver uma cultura, uma língua, um conceito artístico, mais fácil e simples fica o processo mental. Ficas preparado para dar um leque de respostas muito mais alargado. É neste “neuro ginásio” que surgem as ideias, no exercício constante de por em causa. E para tal, quanto maior e mais funda for a base cultural, melhores resultados.  O resto, mais coisa, menos coisa, é trabalho. Percebo o deslumbramento que uma pessoa possa sentir perante uma abordagem, seja ela qual for, artística, ou promocional, que surpreende de forma arrebatadora pela sua criatividade. Mas aquele resultado final é 99% trabalho. É natural pensar-se que 1% será então inspiração. Até pode ser. Eu simplesmente não acredito. O tal 1% é a habilidade que alguém consegue ter quando a primeira ideia não funciona e volta a pensar, e pensar, até chegar a uma ideia melhor.

3 – E por último, a pergunta da praxe. Qual é o teu episódio preferido deste livro? Aquele que te deu particular gozo em escrevê-lo?

Se tivesse apenas 16 caracteres para responder diria assim: Eu vivo na Calheta! Se pudesse usar mais 6 caracteres? Então: Eu vivo na calheta, porra! Ambas as ilustrações da Calheta, inseridas na ideia de almoçar no Mané Cigano foram, desde logo, as minhas preferidas. Isto na teoria imaginária da escrita. Depois veio a Sara, e temos, para além, da Calheta, a Caldeira Velha, as Sete Cidades, o Pico, e aí fico mais perdido entre as palavras e a imagem. Mas sim, definitivamente o episódio em que eles conhecem o Polvo Mané, um personagem que jamais pensei ganhar vida e que entretanto vai rastejando de quadro em quadro, até ao capítulo final.

 

Entrevista elaborada por Ana Oliveira

Partilhe

Deixe uma resposta

Fechar Menu
shares