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Lançamento do Livro: “Os Presos e as Prisões Políticas de Angra do Heroísmo”

Maio 9 @ 19:00 - 20:30

O Município de Angra do Heroísmo e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses convidam para a apresentação do livro «Os Presos e as Prisões Políticas de Angra do Heroísmo», apresentado pelo escritor Domingos Lobo, que se realiza no dia 9 de Maio, pelas 19:00 horas, no Salão Nobre dos Paços de Angra do Heroísmo.

Em entrevista ao jornal Público, a União de Resistentes Antifascistas Portugueses afirma que a ideia de editar um livro que contasse a história dos presos políticos em Angra do Heroísmo surgiu, há três anos, durante uma visita de um grupo de investigadores da URAP à Fortaleza de São João Baptista, onde estiveram também em cativeiro o rei D. Afonso VI e o último imperador do Império de Gaza, actual Moçambique, Gungunhana.
Entre os primeiros presos políticos a rumar a Angra do Heroísmo terão estado os operários vidreiros da Marinha Grande que se revoltaram em 18 de Janeiro de 1934 contra o Estado Novo e as condições de vida da época.

Em 1936, a cidade recebeu centenas de marinheiros da Organização Revolucionária da Armada, que tentaram tomar vários navios da Armada Portuguesa.

O livro editado pela URAP, com o apoio do município de Angra do Heroísmo, integra uma lista dos presos políticos que passaram pela cidade e descreve o seu quotidiano.

“Era horrível. Por qualquer coisinha, os carcereiros castigavam-nos. Eram enviados para o chamado calejão, que era um local onde estavam os cavalos e os próprios cavalos morriam por causa do frio e das águas. E, depois, muitos deles iam para a puterna, onde passavam dias e dias às escuras, com alimentação horrível”, descreveu o dirigente da URAP.

Segundo César Roussado, muitos apanhavam doenças durante estes períodos de castigo e acabavam por morrer.
“Eles eram isolados completamente quando eram castigados. Iam para a puterna, para o calejão ou para outro lado e ficavam lá às escuras, por qualquer coisinha, ou porque se recusavam comer, ou porque a comida não prestava, ou porque respondiam aos carcereiros… Era uma vida infernal”, sublinhou.

O objectivo da apresentação do livro, que vai levar 40 membros da URAP e familiares de presos políticos a Angra do Heroísmo, é homenagear quem esteve detido durante a ditadura e “não deixar esquecer” esse período.

César Roussado admite que pouca gente sabe que os castelos que são hoje atracções turísticas em Angra do Heroísmo foram palco de tortura de presos políticos e salienta que é preciso divulgar junto das novas gerações o que se passou no Estado Novo.

“Vamos muitas vezes às escolas falar do que foi o fascismo, como surgiu o 25 de Abril, das condições da prisão”, frisou.

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Detalhes

Data:
Maio 9
Hora:
19:00 - 20:30
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Local

Terceira – Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
Praça Velha 9701-857 + Mapa do Google