13 provas de que Ponta Delgada é uma cidade de poetas

13 provas de que Ponta Delgada é uma cidade de poetas

De 10 a 13 de outubro, a cidade de Ponta Delgada recebe o III Encontro Internacional de Poesia, subordinado ao tema “A condição de Ilhéu”, com a presença de poetas dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde e ainda do continente português. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Bolieiro, esta é uma cidade de poetas.

E este artigo do Top Azores decide exatamente provar de que de facto Bolieiro não mentiu, nem hiperbolizou ao dizer que Ponta Delgada é uma cidade de poetas, selecionando 13 autores (devido ao evento terminar num dia 13) naturais de Ponta Delgada. Fazemos, contudo, a ressalva de que há muitos mais!

 

Antero de Quental

Um dos maiores poetas e filósofos portugueses do século XIX, Antero Tarquínio de Quental nasceu e morreu em Ponta Delgada, a 18 de abril de 1842, e a 11 de setembro de 1891, respetivamente.
Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde ganhou gosto pelas ideias socialistas, que influenciaram as suas Odes Modernas, publicadas em 1865, a fundação do jornal A República – Jornal da Democracia Portuguesa, com Oliveira Martins, em 1870 e, ainda, a edição, conjuntamente com José Fontana, da revista O Pensamento Social (1872). Antero foi, inclusive, um dos fundadores do Partido Socialista Português (1875-1933).
Em 1886 publicou aquela que é considerada pelos críticos como a sua melhor obra poética, Sonetos Completos, com características autobiográficas e simbolistas.
Num intenso estado depressivo, devido ao seu distúrbio bipolar, Antero suicida-se num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde está na parede a palavra “Esperança”, no Campo de São Francisco.

 

O que diz a morte

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem…

Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. –

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

 

Natália Correia

Natália de Oliveira Correia (Fajã de Baixo, 13 de setembro de 1923 — Lisboa, 16 de março de 1993) foi uma escritora, poeta (ela recusava o termo poetisa) e deputada da Assembleia da República, de 1980 a 1991).
A obra de Natália Correia estende-se desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Em 1971 foi uma das fundadoras do bar Botequim, onde decorriam vibrantes tertúlias compostas das mais destacadas figuras das artes, letras e da política (oposicionista do Estado Novo), tanto nacionais como internacionais.
Em termos políticos, Natália Correia era defensora acérrima da cultura, dos direitos humanos e das mulheres e um membro ativo da oposição ao Estado Novo. A sua intervenção política pública levou-a ao Parlamento, no período subsequente ao 25 de abril de 1974.
Após a sua morte, o legado por ela deixado foi doado à Região Autónoma dos Açores, tendo sido construído na sua terra natal o Centro Natália Correia, em 2011, na Rua do Monte.

 

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

 

Teófilo Braga

Joaquim Teófilo Fernandes Braga nasceu na cidade de Ponta Delgada em 1843.  Estreia-se na literatura em 1859 com Folhas Verdes, com apenas dezasseis anos.
Bacharel, Licenciado e Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra, fixa-se em Lisboa em 1872, onde lecciona literatura no Curso Superior de Letras (atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).
Da sua carreira literária contam-se obras de história literária, etnografia (com especial destaque para as suas recolhas de contos e canções tradicionais), poesia, ficção e filosofia, tendo sido ele o introdutor do Positivismo em Portugal, tendo fundado e dirigido, juntamente com Júlio de Matos, a revista O Positivismo. Depois de ter presidido ao Governo Provisório da República Portuguesa, a sua carreira política terminou após exercer fugazmente o cargo de Presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, entre 29 de maio e 5 de outubro de 1915.
A vasta obra de polígrafo de Teófilo Braga cobre áreas vastas, da poesia e da ficção à filosofia, à história da cultura e à historiografia crítico-literária, e excede os 360 títulos, não contando com os artigos dispersos pela imprensa da época. Na poesia, publicou as seguintes obras Folhas Verdes (1859), Visão dos Tempos (1864), Tempestades Sonoras (1864), Torrentes (1869) e Miragens Seculares (1884).

A dobadoira

Estava à porta assentada,
dobando a sua meada
        A velhinha:
Lenço branco na cabeça
A madeixa lhe sustinha,
E envolve-a  como toalha;
Com que préssa
Sentada à porta trabalha.
         O sol doira
         Seu cabelo,
Que tem a cor da geada;
Para passar o novelo,
         A velhinha
De vez em quando sustinha
A gemente dobadoira;
Em que anda branca meada.
Na dobadoira que gira,
Como a mente que delira,
Nem já toda a atenção pondo;
Nem no novelo redondo
        Aumentando
Ao passo que o fio tira,
Todo o seu cuidado emprega!
       Pobre e cega,
Ansiada, de quando em quando
Com que tristeza suspira!
Por vezes o movimento
        Claro exprime
Tumultuar do pensamento,
Que no imo da alma  a oprime
    E quase oura!
Muita angústia e paciência
Reflecte-a a intermitência
   Do andamento
Ao voltear da dobadoira.
Fica-lhe na mão suspensa
          O novelo,
Concentrada não o enleia;
Na orfã netinha pensa!…
      Vem-lhe à ideia
        Por sua morte:
“Só, no mundo! Entregue à sorte!
        Pobre neta…
         Pesadelo,
Que tanto a velhinha inquieta.
Não ouvindo a dobadoira,
Que gemia intermitente,
Caindo da mão dormente
         O novelo…
         Com desvelo,
A neta, cabeça loira,
          Vem à porta
Ver o que foi; com susto olha:
Uma lágrima inda molha
A face à velhinha morta.

 

Eduíno de Jesus

Nasceu nos Arrifes, Ponta Delgada, em 1928. É considerado um poeta de mérito reconhecido nos planos nacional e internacional, desenvolvendo em Portugal expressiva atividade de divulgação da cultura açoriana desde o lançamento e manutenção, em Coimbra, da coleção “Arquipélago“, pela qual tornou conhecida a obra de vários escritores açorianos como Armando Côrtes-Rodrigues. Posteriormente prosseguiu as atividades de divulgação enquanto coordenador, por muitos anos, da secção cultural da Casa dos Açores de Lisboa.

Licenciou-se em Filologia Românica, em Lisboa, com dissertações em Linguística e Literatura (ano lectivo de 1976). Ensaísta, dramaturgo e principalmente poeta do modernismo se revelou Eduíno com o maior destaque.

Na sua obra poética publicada, é de destacar Caminho para o Desconhecido (1952); O Rei Lua (1955); A Cidade Destruída durante o Eclipse (1957). Esta nova moda poética leva muita gente a pensar que a poesia se tinha tornado uma arte frívola e vã. A poesia de Eduíno de Jesus está traduzida em francês, por Gaston Henri Aufrère. Ultimamente Eduíno de Jesus publicou Os silos do silêncio, antologia de poesia (1948-2005) editada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, na Biblioteca de Autores Portugueses, com prefácio de António Manuel Conto Viana e posfácio de Onésimo Teotónio Almeida.

 

Com as mãos

Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo,
onde havia

uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.

Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,

as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento do teu corpo
em seu voo.

E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

 

Emanuel Jorge Botelho

O poeta e professor açoriano Emanuel Jorge Botelho é autor de Ossos Dentro da Cinza, Fecho as Cortinas, e Espero, Antero de Quental, a vida e uma manhã e de 30 Crónicas.

Formado em Ciências Sociais e Políticas e membro do Grupo de Intervenção Cultural Açoriano, Emanuel Jorge Botelho fundou e dirigiu a revista Aresta e coordenou o suplemento literário Raiz, do Correio dos Açores.

O seu nome destacou-se nas letras portuguesas no início da década de 1980, com a publicação de Full Auto Shut Off, na antiga editora &etc., conhecida pela exigência do seu fundador, Vítor Silva Tavares, que antes foi responsável pelo catálogo da antiga Ulisseia, nos anos de 1960.

Asas e Penas, A Giz de Alfaiate, Mas o Território Não é o Mapa, Cesuras e Perguntas Queimadas são outras obras de Emanuel Jorge Botelho, que nasceu há 69 anos em Ponta Delgada.

 

Cesuras

vou dormir meu amor, o primeiro gesto vai

para o apagar do candeeiro, andamos presos

a coisas simples como vês; a mão a ir-se

gastando longe

da pele de leopardo, a boca a dar-se à luxúria da saliva

e o último olhar para o abismo

entre o colchão e a carpete, depois o medo,

o cuidado com que assinalamos a última página

do livro

esta função bizarra dada aos dedos como se amanhã o sangue fosse

uma clave branca convertida ao silêncio — meu amor — há até quem ore,

quem ponha na mão um dardo

para o exorcismo da luz. e depois este corpo sobre a mesa

de cabeceira — a água sempre

uma promessa de despertar agarrada aos lábios; o gesto

que o fogo guarda. coisas simples como vês, nada sobre

o anoitecer da pedra

 

Sidónio Bettencourt

Apesar de a sua família ser oriunda da ilha do Pico, Sidónio Manuel Moniz Bettencourt nasceu em Ponta Delgada, em 1955. 

Diplomado pelo Centro de Formação de Jornalistas, é profissional do quadro da RDP-Açores desde 1976, com a categoria de chefe de redação, exercendo funções de chefe de serviço de informação.

Recebeu, desde 1985, vários prémios por reportagens que realizou, de onde se destacam o Grande Prémio da Fundação Luso-Ameriana para o Desenvolvimento, em 1993, e o  1.º Prémio Nacional do Clube Português de Imprensa, em 1995.

Poeta e escritor, está incluído em diversas antologias de poesia insular e participa regularmente em atividades culturais, além de ser especialista em jornalismo radiofónico desportivo e atleta amador.

Na VI Legislatura (1996-2000) foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, pelo círculo de S. Miguel, integrado nas listas do PSD. 

Como autor, está incluído nas coletâneas Nós Palavras, Ilha Num Cartucho a Cinco Vozes, Café Com Letras e nas antologias Nove Rumores do Mar do Instituto Camões e On a Leaf of Blue, poesia contemporânea açoriana, editada pela Universidade de Berkeley da Califórnia – E.U.A. É ainda autor dos livros de narrativa poética Deserto de Todas as Chuvas, A Balada das Baleias e Já Não Vem Ninguém.

 

Bailarina

…abre-se o olhar num sorriso de asas e o corpo

balança em pontas
dedos de um grito de deus abandono divino o mar

lágrima fado gaivota e tejo
amar-amália no gesto sublime da dança fôlego

não há país nem viela nem água pura ou janela
que apague tanta luz ao anoitecer
nem claridade que afogue a neblina das manhãs de lava

e fogo adormecido vulcão na ilha morta
ribeira fresca de silêncio melancolia
palavra cânticos voltas e revoltas
voltas sempre cheia melodia

o sonho
pedras secas sargaços figos e uvas
delicadas mãos quando descalças
os pés húmidos das chuvas

escreves sabre a boca
de cena
um e outro e mais outro pas de deux de sereia
perdido outono que desce
dos céus esta alegria contida na areia

e a morte cai serena do poema da partida
abre-se o olhar num sorriso de asa o voo do teu corpo…

 

Renata Correia Botelho

Nasceu (1977) e vive em Ponta Delgada. Licenciou-se em Psicologia, com pós-graduações em Tradução e em Comunicação e Cultura. Traduziu, entre outras obras, De Olhos Abertos, de Marguerite Yourcenar (Relógio D’Água, 2011). Tem 3 livros de poesia publicados: Avulsos, por causa (separata da revista Magma, 2005; Língua Morta, 2010), Um Circo no Nevoeiro (Averno, 2009) e small song (Averno, 2010). Está presente em diversas edições coletivas, bem como em antologias regionais e nacionais. Colabora com revistas literárias e com diferentes expressões artísticas. É filha do poeta Emanuel Jorge Botelho.

 

De Cara a la Pared

foi talvez a nossa última canção.

oiço ainda os corpos a vincar a noite,
um campo minado de corações tristes
explodindo o rosto na parede.

muitas músicas depois
quando as paredes eram já outras
e nas caras se perdiam novos nomes

voltei a ela: ficara-me sempre, afinal,
um terrível verso solitário
e a culpa de a ter levado

a um coração onde as canções
morreriam de frio.

 

Pedro Paulo Câmara

Natural dos Ginetes, Ponta Delgada, deixou-se fascinar pela arte popular da sua freguesia, desde lendas, tradições, cantares e peças de teatro popular, que encontrou no baú da sua avó.

Pedro Paulo Câmara é licenciado em Português-Inglês, pela Universidade dos Açores, com Curso de Especialização em Estudos Interculturais – Dinâmicas Insulares, é professor desde 2003 das disciplinas de Português; Linguagem e Comunicação; Fundamentos de Cultura, Língua e Comunicação e Cultura, Comunicação e Media. É autor das obras Perfumes (Poesia, 2011); Saliências (Poesia, 2013), do Cinzas de Sabrina (Romance histórico, 2014) e Na Casa do Homem sem Voz, sendo a sua mais recente colaboração em coletâneas O Lado de Dentro do Lado de Dentro, projeto que visa a promoção da leitura em ambiente prisional. Em 2011, foi galardoado com a menção honrosa no Concurso Aveiro Jovens Criador, na área de Literatura, com o conto “Madrugadas”, pela Câmara Municipal de Aveiro, e, em 2013, foi o vencedor do concurso regional DiscoverAzores, promovido pela Miratecarts, com o conto “(Re)Descobrir Açores”, sendo que, desde então, tem colaborado na organização de várias iniciativas no Azores Fringe Festival e participado de diversos eventos do mesmo. Durante o período da sua existência, foi colaborador e representante regional da revista poética A Chama – Folhas Poéticas.

 

O Canto dos Amantes

A noite desceu e sorriu.
Ao som das badaladas e das batidas eles apropriaram-se mudos
de portos de especiarias, do mar e da vaga
sob o toldo estrelado, como quem não teme a luz.
Dormitou o corpo inebriado
dormente da esperança que emergiu,
ressuscitou ávida dos muros.
O marulhar revolto gritava ansioso uma nova vaga.

O brilho seduz
e torna-se flauta-milagre, futuro-presente, passado.
Um renascia, puro, do outro.

 

Luís Francisco Rebelo Bicudo

Nasceu em Ponta Delgada, no ano de 1884. Estudou no Liceu de Ponta Delgada, onde assumiu os ideais republicanos e aderiu à maçonaria. Em Coimbra (1903-08), licenciou-se em Direito e participou nas lutas académicas de combate ao regime monárquico. Nesta cidade desenvolveu a sua criação poética, ligado ao denominado grupo vitalista da revista Arte & Vida. Regressou a S. Miguel, mas voltou para Lisboa, onde se matriculou no Curso Superior de Letras. Desistiu da segunda licenciatura e optou por viajar pela Europa entre 1909-12. Em Itália, contactou com o movimento futurista, mas não aderiu às novas propostas filosófico-literárias. Cultivou o soneto nos moldes anterianos e, tal como o poeta-filósofo, suicidou-se. A sua obra, contos e poesia, ficou dispersa por revistas e jornais.

 

José Rebelo de Bettencourt

Nasceu a 1894 em Ponta Delgada e morreu em 1969. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa e um colégio em Londres, mas desistiu da licenciatura para abraçar o jornalismo. Participou na corrente futurista em 1917, conjuntamente com Santa Rita Pintor, mas cedo a abandonou para se converter ao nacionalismo literário, acabando refugiado na sua ilha dedicado a um jornalismo de subsistência, esquecido e afastado do mundo das letras nacionais.

Como jornalista colaborou desde 1912 no Diário dos Açores e no Século (1917-18), fundou em Ponta Delgada o Distrito, foi redactor do A Pátria, em Angra do Heroísmo e colaborou ainda, em Lisboa, na Gazeta dos Caminhos-de-Ferro e na revista de turismo Viagem, dirigidas por Carlos de Ornelas.

Dos seus tempos futuristas publicou uma antologia de crónicas da revista Portugal Futurista intitulada O Mundo das Imagens, e três antologias poéticas, Cantigas, (1923), Oceano Atlântico (1934) e Vozes do Mar e do Vento (1953), e alguns ensaios de mérito sobre Antero de Quental e Teófilo Braga. 

 

Manuel Barbosa

Nasceu em Ponta Delgada em 1905 e morreu em S. Brás de Aportel, em 1991. Concluiu os estudos secundários em Ponta Delgada e licenciou-se em Direito, na Universidade de Lisboa (1931), e em Ciências Históricas e Filosóficas, na de Coimbra (1940). Regressou a S. Miguel, em 1948, onde exerceu advocacia na Ribeira Grande, durante 27 anos. Paralelamente, foi professor e dirigiu o Externato Ribeiragrandense. Desde jovem, revelou preocupações político-sociais e tornou-se um opositor tenaz ao Estado Novo. Foi candidato a deputado pela Oposição Democrática, em 1969, pelo círculo de Ponta Delgada, e participante no III Congresso Democrático de Aveiro. Depois do 25 de Abril, foi membro da Comissão Democrática de Ponta Delgada e deportado para o continente em Agosto de 1975, por elementos separatistas da Frente de Libertação dos Açores (FLA). Publicou poesia, alguns contos e traduziu obras de autores ingleses consagrados. A sua poesia, para além da sensibilidade romântica e idealista, revela também preocupações político-sociais. Fundou e dirigiu a revista literária Atlântida, no ano de 1929.

Obras Principais  Poesia: (1953), Incerta Via. Ponta Delgada, ed. do autor. (1960), 5 English Poems. Ponta Delgada, Ed. do autor. Prosa: (1956), Fructuoso (Vida e Obra). Ribeira Grande, ed. do autor. (1969), Virgílio de Oliveira – o Homem, o Poeta e o Ideólogo. Ponta Delgada, ed. do autor. (1978), Luta pela Democracia nos Açores. Coimbra, Ed. Centelha. (1981), Memórias das Ilhas Desafortunadas. Coimbra, ed. do autor. (1983), Figuras e Perfis Literários. Ribeira Grande, ed. do autor. (1985), Enquanto o Galo Canta. Ribeira Grande, ed. do autor. (1988), Memórias da Cidade Futura. Ribeira Grande, ed. do autor.

 

José Maria Lopes de Araújo

Nasceu em Ponta Delgada em 1919 e morreu em 1993. Desde os bancos do liceu, revelou vocação para as letras, começando a colaborar na revista A Ilha, em 1939. Prolongou a atividade jornalística e literária noutros periódicos dos Açores e do Continente, nomeadamente no jornal República. Dirigiu, durante vários anos, o suplemento «Santa Maria», publicado no Correio dos Açores. Exerceu o magistério primário em Ponta Delgada e lecionou Francês no Externato de Santa Maria. Desde a juventude, andou ligado a numerosas atividades culturais promovidas pela Associação Católica de Ponta Delgada e a iniciativas de carácter humanitário. Escreveu várias peças teatrais levadas à cena com muito êxito, onde revelou o seu espírito crítico e humorístico. É também autor de várias peças radiofónicas e realizou programas no Asas do Atlântico, de que foi co-fundador. Começou a publicar a produção poética em 1944 e as suas obras expressam um apego aos valores tradicionais da sociedade numa perspetiva profundamente cristã. É considerado o representante açoriano do ultra-romantismo póstumo. Foi distinguido com a medalha da cidade de Toronto.

Obras principais: Teatro musicado (revistas levadas à cena): Estás-te Consolando; Ai não Me Digas; Isso agora É Outra Conversa; Tira a Mão daí; Larga o Osso. Poesia: (1944), Noite de Alma. Ponta Delgada, ed. do autor. (1952), Cinzas Quentes. Ponta Delgada, Ed. Tip. Micaelense. (1970), Falas do Coração. Ponta Delgada, ed. do autor. (1992), Horas Contadas. Ponta Delgada, ed. do autor. (1993), Labaredas. Ponta Delgada, ed. do autor.

 

Sem Aventura, sem Paz, sem Amor

Não tentes, nunca, nunca, desvendar
O mistério que envolve o meu tormento…
É que, eu próprio não sei que sentimento
Me invade, quando fico a meditar …

Trago, na alma, um constante murmurar
Que acusa o meu inquieto desalento,
Como tarde outonal, de céu cinzento,
Como noite viúva de luar!

Embora seja amargo o meu caminho,
Deixem-me seguir, assim sozinho,
Muito agarrado à minha própria dor …

É que, só ela me pode entender,
E entender a razão do meu viver,
Sem ventura, sem paz e sem amor

 

Sacuntala de Miranda

Nasceu em Ponta Delgada, em 1934 e faleceu em 2008. Filha de Lúcio de Miranda, goês, professor de matemática do liceu de Ponta Delgada e de uma senhora micaelense, ainda criança acompanhou os pais à Índia, onde a família tencionava fixar-se, mas regressaram em 1942. Viveu então por pouco tempo no Funchal, regressando por fim a Ponta Delgada, onde estudou no liceu e terminado este matriculou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Históricas Filosóficas (1959).  Nesse mesmo ano, parte para Londres onde trabalha inicialmente na Biblioteca da Universidade de Londres. Abandona Londres por um breve período, entre 1964 e 1965, instalando-se em Argel, então «sede» do movimento de resistência e luta contra a ditadura em Portugal. Regressa a Londres em 1965. Trabalha como professora do ensino secundário e como Assistente de Investigação em Sociologia na Universidade de Londres, em 1967-1968.

Depois do 25 de Abril, mas já em 1975, regressou a Portugal e trabalhou na Secretaria de Estado da Emigração, durante os governos provisórios, considerando-se saneada com a queda do 5.º governo, de Vasco Gonçalves. Passou a trabalhar no Centro de Investigação Pedagógica do Instituto Gulbenkian de Ciência e foi consultora da Open University inglesa sobre os sistemas educativos dos países periféricos.

No início da década de oitenta retomou a carreira universitária, como assistente na Universidade Nova de Lisboa e depois professora do Departamento de História, ondefez o doutoramento com uma investigação acerca das relações económicas entre Portugal e a Inglaterra (1891-1939).

Foi uma notável historiadora de temas de história económica e de história política e da emigração, sendo a sua historiografia marcada pelas opções ideológicas da esquerda do marxismo. 

Obras principais. (s.d.), Memórias de um peão nos combates pela liberdade, Portugal. O círculo vicioso da dependência (1890-1939). Lisboa, Teorema. (s.d.), Quando os sinos tocavam a rebate. Lisboa, Salamandra. (s.d.), A emigração portuguesa e o Atlântico 1870-1930. Lisboa, Salamandra. (1982), A Revolução de Setembro de 1836 geografia eleitoral. Lisboa, Livros Horizonte. (1989), O ciclo da laranja e os gentleman farmers da ilha de S. Miguel, 1780-1880. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Sorriso de Satya (2006), Instituto Cultural de Ponta Delgada.

 

Fontes:

http://lusofonia.x10.mx/acores/acorianos_cronologia.htm

http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/

https://pedropaulocamara.wordpress.com/

https://www.estudioraposa.com/index.php/category/poetas/eduino-de-jesus/

https://www.ebiografia.com/antero_quental/

https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=297

http://ensina.rtp.pt/artigo/antero-de-quental-a-missao-revolucionaria-da-poesia/

https://www.todamateria.com.br/antero-de-quental/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Antero_de_Quental

https://www.escritas.org/pt/natalia-correia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nat%C3%A1lia_Correia

https://www.dn.pt/lusa/acores-e-arquipelago-de-escritores-em-novembro-com-homenagem-a-emanuel-jorge-botelho-9936012.html

http://opoemainsone.blogspot.com/2015/02/emanuel-jorge-botelho.html

https://almadepoeta.blogspot.com/2005/10/sidnio-bettencourt-monumento.html

http://www.rtp.pt/acores/comunidades/sidonio-bettencourt–bailarina—-olegario-paz-som—porque-hoje-e-sabado_40948

https://pt.wikipedia.org/wiki/Te%C3%B3filo_Braga

https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=204

http://olhaioliriodocampo.blogspot.com/2016/02/a-dobadoira-um-poema-de-teofilo-braga.html

http://arquipelagoescritores.pt/Autores%20Convidados/renata-correia-botelho/

http://visao.sapo.pt/actualidade/cultura/2011-05-01-Renata-Correia-Botelho—lei-dos-afectos-1

http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-renata-correia-botelho/

http://www.icpd.pt/arquivo/ver.php?id=359

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-72502014000100013

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Barbosa

http://remospartidos.blogspot.com/

https://journals.openedition.org/lerhistoria/

 

 

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