Top Azores: 10 Coisas sem as quais não é Natal em São Miguel

Top Azores: 10 Coisas sem as quais não é Natal em São Miguel

Top Azores: 10 Coisas sem as quais não é Natal em São Miguel. Dia das Montras, concertos de Natal, presépios, ervilhaca, Menino Mija são alguns exemplos de 10 coisas sem as quais não é Natal em São Miguel.

 

1. Inauguração da iluminação de Natal e Dia das Montras

Foto: Câmara Municipal de Ponta Delgada

Em São Miguel, sabe-se que o Natal está a caminho quando se inaugura a iluminação natalícia, o que é comum em todos os países do mundo em que se festeja o Natal, por isso nada de novo… Mas nas ilhas dos Açores temos uma tradição diferente, o Dia das Montras, no dia da Imaculada Conceição, 8 de dezembro, em que o comércio tradicional se esmera na decoração das suas montras, de forma a ganharem o concurso das montras promovido pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. É um pouco como na vida, onde uns se apresentam de forma irrepreensível, outros deixam a meia branca com as raquetes de ténis à mostra, no melhor fato de domingo. E é precisamente aí que está alguma da graça deste dia.

A votação nas montras a concurso é feita por um júri composto por diversas entidades e também pela população em geral, com diferentes ponderações.

 

2. Concerto de Natal pelo Coral de São José

Foto: DR

O concerto de Natal do Coral de São José pode ser já considerado uma tradição micaelense. Constituído por cerca de 70 elementos, o coro sinfónico do Coral de São José foi constituído a 19 de março de 1967 para abrilhantar as Eucaristias dominicais e outras solenidades na Igreja de São José, em Ponta Delgada.

Em 8 de dezembro de 1996 constituiu-se Associação com estatutos próprios, passando a designar-se “Coral de São José – Associação Musical”.

Os concertos integram, geralmente, um repertório diversificado, com obras clássicas de compositores relevantes de diferentes épocas até aos contemporâneos, privilegiando, naturalmente, os famosos Christmas Carols com harmonizações e arranjos para o efeito. E digam lá se não é tão giro ouvir os nossos filhos a cantar a Noite Feliz em português por cima do original? Em alemão?

 

3. Visitar Presépios

Presépio das Furnas

Outra tradição micaelense é visitar os presépios feitos um pouco por toda a ilha. Os mais conhecidos são o das Caldeiras das Furnas, o do Prior Evaristo Gouveia, no Museu Municipal da Ribeira Grande, o da Madre Margarida do Apocalipse, na Casa do Arcano, na Ribeira Grande, e o dos Manaias, em Ponta Delgada.

Segundo o Guia da Cidade, o Presépio das Furnas conta com cerca de 500 figuras. Costuma estar presente no início de dezembro até ao dia de Reis.

Já o presépio do Prior Evaristo Gouveia, segundo a Igreja Açores, foi criado com o objetivo de ajudar a igreja e ocupar os tempos livres dos jovens que se reuniam na Associação da Juventude.

Presépio Prior Evaristo Gouveia. Foto: Câmara Municipal da Ribeira Grande

Constituído por inúmeras peças, muitas delas executadas em barro e madeira pelo reconhecido artesão lagoense Luís Gouveia, sobrinho do Prior Evaristo Gouveia, o presépio reproduz cenas da vida quotidiana dos ribeiragrandenses, nos seus aspetos religiosos e profanos e nas suas tradições seculares. Inclui também edifícios públicos, com miniaturas da Câmara Municipal e do jardim central da cidade.

Presépio do Arcano, da Madre Margarida do Apocalipse. Foto: DR

Madre Margarida do Apocalipse dedicou parte da sua vida (20 anos) a executar o Arcano: pequenas figuras moldadas em miolo de pão e goma-arábica, representando cenas do Antigo e Novo Testamento.

Os vários quadros, dispostos nos três pisos do móvel/expositor do Arcano, são compostos por figurinhas, todas elas moldadas à mão e formadas por vários materiais, tais como farinha de arroz, gelatina animal, goma-arábica e vidro moído.

Presépio Casa dos Manaias. Foto: Eduardo Costa / Lusa

Presépio do centro ocupacional Casa dos Manaias, um projeto de inclusão social da população em risco ou sem abrigo desenvolvido pela Câmara de Ponta Delgada.  Contando, este presépio com cerca de 400 peças, estas são feitas dos mais variados materiais, sobretudo de produtos naturais e recicláveis.

No entanto, a força simbólica do presépio é tão grande que até com 3 rolhas de cortiça se consegue uma boa representação. Se o vinho for bom, melhor ainda.

 

4. Roubar musgão para fazer presépios

Foto: Quercus São Miguel

O musgão, também conhecido por leiva, faz parte do imaginário do presépio dos Açores, no entanto a sua apanha está proibida na região, devido à sua importância no ecossistema da floresta laurissilva, ao permitir o armazenamento e purificação da água. Apesar de ilegal, esta prática ainda é recorrente, sendo que muitas pessoas o extraem das vertentes da estrada volumosas quantias desta pteridófita endémica.

O musgão desempenha funções muito importantes ao nível hidrológico e de conservação da natureza, pelo facto de as suas células funcionarem como uma esponja natural, retendo até 20 vezes o seu peso seco em água, que depois é libertada gradualmente para os aquíferos, desempenhando, também, um papel importante no controle da erosão do solo e regularização do fluxo de nascentes e ribeiras. Outra particularidade desta espécie prende-se com a capacidade de “purificação” da água, que retém metais e substâncias tóxicas e pelo efeito bactericida devido ao seu pH ácido, como explica a Direção Regional do Ambiente.

A Agenda Açores reforça que a apanha do musgão é ILEGAL e extremamente DANOSA para o meio-ambiente e também sabemos que existem várias lojas na ilha que vendem tapetes de relva artificial que servem perfeitamente para o evento, deixando assim o musgão para os turistas poderem levar para casa.

 

5. Decorações de Natal com flores e citrinos e presépios de lapinha

Presépio de lapinha. Foto: CRAA

Segundo o site Bom dia Europa, os “Altarinhos do Menino Jesus”, que muitas vezes surgem em alternativa ao presépio, é outra tradição açoriana à qual se junta, sobretudo na Ilha de São Miguel, o armar a ‘Lapinha’ que é um presépio em miniatura sobre rochas e ornamentado com materiais da terra e do mar com figurinhas em miniatura, de barro e pintadas à mão, que representam quadros da vida de Jesus.

Altarinho do Menino Jesus. Fotografia: Museu Carlos Machado

O tema central é a gruta que abriga a Sagrada Família, em torno da qual se organizam todos os outros elementos, representando cenas bíblicas ou do quotidiano através de pequenas figuras de cerâmica pintadas, fragmentos de rocha, musgo, plantas, flores e minúsculas conchas marinhas. Dentro de redomas ou caixas de vidro, os belos e frágeis presépios de lapinha são tradição nas casas açorianas, como nos afirma o Centro Regional de Apoio ao Artesanato.

Além dos presépios em lapinha, os micaelenses tinham, e alguns ainda têm, o costume de enfeitar a casa com galhos de laranjeiras com laranjas, tangerinas e ananás, ramos de nespereira e de cedro pintados com tinta dourada ou prateada, e quem enfeite a sua árvore de Natal com tangerinas, como é referido no artigo Plantas do Natal, escrito por Teófilo Braga, em dezembro de 2016.

A nível decorativo, ainda hoje na época de Natal são utilizadas em muitas casas açorianas, camélias, estrelícias e outras flores da época.

Esta acaba por ser uma tradição que gera memórias olfativas inesquecíveis. Isto se a recolha de lixo funcionar na época do Natal, senão estamos perdidos.

 

6. Não há Natal sem ervilhaca, trigo, tremoço…

Foto: Somos Açores

Entre o dia de Santa Bárbara e o da Imaculada Conceição, ou então no dia de Santa Luzia, coloca-se a grelar em tigelas e pratinhos, ervilhaca, trigo, milho, tremoço e alpista para, juntamente com laranjas e tangerinas, enfeitar o presépio ou o altar do Menino Jesus.

Primeiro é necessário demolhar as sementes 24 h. Depois de secas, colocar num vaso com terra, sem as enterrar. Regar uma vez por dia e esperar que comece a crescer. Na Noite de Natal este prato deverá ir à mesa da Consoada para que nunca falte pão em casa e na mesa. Guarde o tremoço para ir usando o resto do ano, acompanhado de uma boa cerveja. Sabia onde beber os melhores finos de São Miguel, aqui!

 

7. Fazer da criptoméria um pinheiro

Foto: Direção Regional dos Recursos Florestais

Segundo o Almanaque Açoriano, a Cryptomeria japonica é, hoje, considerada a espécie florestal mais importante do arquipélago dos Açores, não só pela sua importância económica, ocupando 60% da área de floresta de produção, mas também porque os seus povoamentos são um elemento estrutural das paisagens açorianas.

Devido ao elevado número desta espécie, ela foi escolhida para ser a árvore de Natal natural mais típica nos lares micaelenses.

Como forma de garantir que as árvores de Natal cortadas na região são provenientes de uma operação de desbaste autorizada e necessária, desde 2010 que a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, através da Direção Regional dos Recursos Florestais, iniciou a campanha “Árvore de Natal Naturalmente Legal”.

Todas as árvores de Natal colocadas à venda ou cedidas pelos Serviços Florestais a entidades públicas têm uma etiqueta, numerada e inviolável, garantia da sua proveniência. Em média, têm sido etiquetadas cerca de 4.000 árvores por ano, registando-se nos últimos quatro anos um aumento sustentado de cerca de 30% na oferta das árvores de Natal etiquetadas. Traduzindo tudo isto para futebolês diríamos que o Santa Clara está mesmo a precisar de uma criptoméria lá para a frente de ataque.

 

8. Missa do Galo

Missa do Galo na Igreja de Nossa Senhora da Estrela (Ribeira Grande). Vídeo de Paulo Garcia

Depois do jantar, o costume cristão dita que se assista à Missa do Galo, onde então se revêm amigos e se desejam votos de boas festas a toda a comunidade, e é nesse sentido que, segundo a escritora Carla Lima, no seu artigo Tradições do Natal Açoriano: O Menino Mija?, «mandava a tradição que houvesse sempre licores, de leite, tangerina, café, e outros sabores, para oferecer na véspera da missa de Natal a quem vai de casa em casa e pergunta: “O Menino mija?”. Infelizmente este costume está-se a perder e só se mantêm em algumas freguesias. É “pena”, porque era uma tradição que para além de juntar amigos e família, fazia com que as pessoas fossem mais “alegres” para a Missa do Galo, que só começava à meia-noite. No final da Missa era e ainda é costume em alguns sítios beijar os pezinhos da imagem do Menino Jesus». Esperamos secretamente que tenha tomado banho e se esfregado muito bem.

 

9. Bolo de Natal

Foto: Mulher Portuguesa

O Bolo de Natal dos Açores é um bolo bastante rico em sabores, dos quais se destacam os frutos secos e cristalizados, o mel de cana, vinho do Porto, aguardente e especiarias. É um bolo que dura bastante tempo e deve ser preparado com bastante antecedência, pelo menos duas semanas antes de consumir, de forma a que todos os sabores se harmonizem perfeitamente e o bolo não fique “pastoso”.

Fique aqui com a receita!

Ingredientes

 

  • 1 Kg farinha sem fermento
  • 1 Kg de açúcar
  • 6 ovos
  • 250 gr de manteiga
  • 2 col. chá de fermento
  • 1 cháv. de mel de cana ou melaço
  • 1 cháv. de doces de fruta
  • 2 pacotinhos de frutas cristalizadas
  • nozes, amêndoas, avelãs, pinhões picadas
  • Ameixa seca, passas, sultanas, figos secos
  • bebidas espirituosas (1 cálice pequeno – Porto, aguardente, o que preferir
  • canela, cravinho, noz moscada – 1 pitada de cada
Preparação
De véspera pique as frutas miudinhas e envolva bem em farinha com uma colher de chá de fermento.
No dia, bate-se o açúcar com os ovos inteiros, as especiarias e a manteiga, que convém estar macia. Junta-se a farinha, o melaço, os doces e as bebidas espirituosas. Bate-se bem, a deixar a massa macia, mas nem muito mole nem muito dura.
Junta-se ao bolo a fruta, envolvendo bem.
Vai ao forno, em forma untada e enfarinhada, durante uma hora e meia, duas horas, em lume baixo para não queimar. Não deixar secar muito.Para que o bolo não escureça muito por baixo, pode-se forrar a forma com papel vegetal untado.
Por cima pode-se colocar uma folha de jornal.
*Dica mais importante de todas, o melhor bolo de Natal é sempre o que é feito por outra pessoa. Normalmente chamamos a essa pessoa Mãe!

10. O Menino Mija?

Reportagem da TVI24
A tradição do Natal açoriano “O Menino mija”, que junta grupos em peregrinação por casas de amigos e familiares, tem perdurado no tempo, constituindo um símbolo do património etnográfico do arquipélago.
Entre o dia 24 de dezembro e o de Reis (6 de janeiro), vários grupos de homens e mulheres andam de casa em casa visitando familiares e amigos e degustando doces e licores tradicionais, que estão sempre expostos por esta altura nas mesas.
Nos Açores manda a tradição preparar licores, de leite e de tangerina, para oferecer a partir da véspera de Natal a quem vai de casa em casa e pergunta: “O Menino Jesus mija?” Os licores são servidos na companhia dos doces natalícios próprios de cada ilha.
Antes de entrarem, e chegados a estas casas, os grupos perguntam: “O Menino mija?”.
Esta frase ou a célebre pergunta feita nas casas das pessoas acaba por ser uma forma de estas abrirem as suas portas e partilharem o que têm nesta época natalícia. Esta visita às casas, desde o Natal até aos Reis, acaba por ser a receção de amigos e familiares que muitas vezes não têm lugar à mesa no Natal. Acaba por haver sempre algo para oferecer e para partilhar. Nas mesas, além dos Licores e dos figos passados, estão sempre presentes as laranjas, uma tradição que terá advindo da importância do citrino nas ilhas em meados do século XVIII e XIX, como foi noticiado no dia 22 de dezembro de 2013, no jornal Público.
Estão a bater à porta neste preciso momento? Somos nós! O menino mija? Boas Festas!

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